sábado, 19 setembro, 2026
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O custo do tempo: de tudo que gastamos, o mais caro é o tempo

Em uma manhã agitada no Colégio Estadual Chateaubriandense, encontrei uma professora e, na ocasião, apresentei-lhe um livro para sua apreciação. Em razão dos inúmeros compromissos daquele momento e dia, ela respondeu:

— Professor, neste momento estou sem tempo para olhar este livro. Por favor, deixe-os comigo. Assim que eu tiver um tempo disponível, farei a leitura com atenção.

            O quadro descrito pela professora me motivou a refletir sobre o tema: TEMPO. E para isso tive que fazer algumas perguntas: O que é o tempo? Por que o tempo é tão caro? Frases como: “Não tenho tempo…”. Essa é a típica expressão tem se tornado comum hoje em dia.

            Tudo na vida é tempo: Tempo de nascer, tempo de crescer, tempo de morrer. Tempo de viver. Popularmente se diz: Isto é uma questão de tempo. Tempo de esquecer, de se recuperar, tempo de construir, de buscar. O tempo de curar feridas revela verdades e coloca cada coisa em seu lugar exato. E para fundamentar esta reflexão recorri ao texto Bíblico de Eclesiastes 3: “ 1.Tudo tem o seu tempo determinado, e todo propósito debaixo do céu tem o seu tempo: 2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de calar, e tempo de falar.

            A noção de tempo varia em cada situação. Um minuto pode parecer uma eternidade, pode se ter a impressão de que um dia tenha a duração de um segundo. Depende de condições internas e externas a nós essa relatividade na duração, o nosso grau de expectativa em relação a algum fato, ou nossa ansiedade perante algo ocorrido ou a ocorrer.

            Conviver com o tempo envolve espera. Saber esperar é uma das aprendizagens que exigem enorme esforço por parte de quem recebe ou de quem a conduz.

            O tempo de espera, o tempo de vigília, o tempo do sono, o tempo do sonho, cada um tem seu ritmo próprio. Cabe a cada um de nós discernir seu tempo e ritmo.

            A respiração é ritmo, a pulsação é ritmo. Falamos com ritmo, andamos com ritmo. O ritmo do universo – sol, dia, lua, noite; a passagem do cometa Halley, a mudança das estações… tudo obedece a um ritmo.

            Comumente pensa-se em ritmo na música e na dança, mas o ritmo está presente em todas as artes. Uma peça de teatro encenada sem um ritmo próprio perde seu valor. Essa noção de ritmo é uma das condições básicas para o equilíbrio da criação.

            E na educação, de um modo geral, o ritmo deve ser um dos componentes básicos, uma vez que ritmo é vida.

            A escritora Maria Nunes em seu livro Valores para uma nova Consciência fala de que “a falta de sintonia da pessoa com o que ela se relaciona provoca ruptura de seu equilíbrio. Essa situação, persistindo, acarreta processos de stress, de estafa.”

            Muitas vezes a pessoa não se dá tempo para o repouso. Isso faz parte do ritmo. Esse repouso é dinâmico, não tem a ver apenas com inércia; é tão importante o tempo livre quanto o tempo de trabalho. No ritmo é importante a pausa.

            Quando a pessoa contraria seu ritmo, advêm várias consequências de ordens diferentes. O ritmo contrariado provoca desequilíbrio, ansiedade, insegurança, etc.

É bom se dar o tempo de sentir o tempo, sempre, no relógio interno de cada um de nós.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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