sábado, 19 setembro, 2026
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Automutilação na adolescência é indício de tristeza?

O ato de se cortar tem se tornado mais frequente entre os adolescentes. Não é tentativa de suicídio, mas demonstração de tristeza.

Adolescentes que se mutilam relatam que não têm o objetivo de chamar a atenção e a atitude é uma forma de aliviar a dor emocional. A dor física é escape para as tensões.

Vários problemas ou sintomas podem explicar a automutilação, dentre eles, a tristeza, raiva, angústia, sensação de vazio, depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos alimentares. Não podemos desconsiderar a própria fase adolescente, a qual é de experimentação. Os adolescentes ficam sabendo de outros casos em filmes, seriados e, principalmente, por meio das redes sociais, onde encontram postagens e imagens. De certa forma, a automutilação é modismo, e ver alguém se cortando pode ser o estímulo necessário para começar.

Os cortes são feitos em locais do corpo que possam ficar escondidos sob as roupas, sendo os braços o local preferido. O intuito é esconder a prática dos pais de forma a garantir o uso contínuo do “analgésico”. No início, os cortes são mais leves e gradualmente tornam-se mais profundos. É como um vício e, após longo período, o praticante pode se machucar mesmo se não estiver passando por nenhum problema.

Também é preciso deixar claro que nem todo adolescente que se corta uma vez não irá parar mais. Quem sente alívio ao se cortar apresenta estresse prévio. Quando o experimentador tem uma condição psicológica normal, não sentirá alívio, apenas dor.

Quando os pais descobrem que o filho está se cortando, devem evitar broncas. Devem oferecer conforto e compreensão. Como você deve agir quando encontrar seu filho triste? Respondendo a esta pergunta, encontrará o melhor jeito de agir nestes casos.

A automutilação é séria. Quanto mais cedo for a intervenção, maiores as chances de a prática não se repetir. A família precisa compreender que é um problema, existe tratamento e seu apoio é fundamental. A avaliação do psicólogo ou psiquiatra é imprescindível. Assim, é possível evitar os agravos e sua extensão para a vida adulta.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e Mestre em Promoção da Saúde. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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