sábado, 31 outubro, 2026

Dia de Finados é dia de refletir sobre a vida

A morte é um assunto carregado de mitos, do qual tentamos evitar falar e nos expor. Se pudéssemos descobrir o elixir da eternidade, com certeza muitos o consumiriam. Uma forma de prolongar nossa existência e nos afastar da nossa finitude física.

O dia de Finados nos convida a refletir sobre a morte, o luto e a maneira como estamos vivendo.

A morte é uma realidade inevitável, mas a impressão é que ainda não aprendemos a conversar sobre ela. Uma das razões é o fato de valorizarmos tanto o nascimento, a beleza, a juventude e a produtividade, tudo o que representa crescimento e continuidade.

Temos dificuldade para acolher os encerramentos. A velhice, que também deveria ser reconhecida como uma etapa natural, muitas vezes é evitada, sendo que envelhecer e falecer fazem parte da nossa condição humana e insistimos em afastar dos nossos pensamentos, como se isso nos protegesse dessa realidade.

Quando falamos sobre a morte, também falamos sobre a vida. Dessa forma, reconhecemos que o tempo é limitado e que, exatamente por essa razão, nossas escolhas, relações e momentos precisam receber a importância que merecem. Pensar sobre a finitude pode nos ajudar a rever prioridades, diminuir conflitos desnecessários, valorizar a presença de quem amamos e compreender que nem sempre teremos outra oportunidade para dizer o que sentimos. Vale a máxima: “a vida é tão curta.”

O Dia de Finados representa uma oportunidade de lembrar daqueles que partiram e de refletir sobre a maneira como lidamos com a ausência. Para muitas pessoas, a data desperta saudade, tristeza e lembranças. Para outras, reabre feridas que pareciam estar cicatrizadas. E tudo isso faz parte da experiência humana de perder alguém significativo.

É importante compreender que o luto não é uma doença, mas um processo natural de adaptação emocional diante de uma perda. Cada pessoa vivencia esse processo de maneira particular, conforme a intensidade do vínculo, as circunstâncias da morte e a história com quem partiu. Há dias em que a saudade parece mais leve e outros em que uma música, um perfume, uma fotografia ou uma data especial fazem a dor reaparecer.

Para superar o luto é essencial permitir-se sentir, além de falar sobre os sentimentos e a perda. Por último, respeitar o próprio tempo.

Neste Dia de Finados, lembre-se de quem partiu, mas também dos que permanecem. Que possamos falar sobre a morte de forma mais natural, acolhermos que está vivenciando o processo de perda e compreender que a finitude não diminui o valor da vida. Ao contrário, lembra-nos de que ela é valiosa demais para ser desperdiçada com aquilo que não importa e que possamos usar o tempo com sabedoria.

Silvana Pedro é psicóloga e mestra em Promoção da Saúde.

Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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