sábado, 31 outubro, 2026

A religião sem amor é vazia

A história do bom samaritano

Jesus fala sobre um homem que descia de Jerusalém para Jericó e foi atacado por ladrões, que o espancaram e o deixaram quase morto. Três pessoas passaram pelo local: Um sacerdote – Viu o homem ferido, mas passou de largo, sem ajudá-lo. Um levita – Também viu o homem, mas seguiu seu caminho sem prestar socorro. Um samaritano – mesmo sendo de um povo desprezado pelos judeus, parou, cuidou das feridas do homem e o levou a uma hospedaria, pagando suas despesas. Após contar a história, Jesus pergunta: “Qual destes três parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos ladrões?” – O intérprete da Lei responde: “Aquele que usou de misericórdia para com ele.” – Jesus então conclui: “Vai e faz da mesma maneira.” Lucas 10.25-37

            Era uma vez um peixe. As ondas furiosas do mar o jogaram na praia. Ele
se debatia desesperadamente.

            Ei cara! Por favor! Socorro! Olha eu aqui, na praia, estou fora da água! Ei! o peixe  gritava se debatendo na praia.

            Passou um comerciante e vendo o peixe, disse: Hoje não posso! É sexta-feira e preciso andar ligeiro para pegar o banco ainda aberto.

            E a passos largos seguiu seu caminho. O peixe ficou pensando: – É parece que o motivo dele é nobre e inadiável! Este cara não pode perder tempo com um pedido por socorro. Ele tem coisa mais importante a fazer!

            Fora da água, o peixe tinha dificuldades de sobreviver. Por isso, jogou os pensamentos para o lado e gritou: Ei, você aí! Eu preciso voltar para o mar …

            Um ator parou e disse – O problema é que se eu tivesse…E o ator ficou em dúvida: – Deixa eu pensar: se eu atiro ele na água pode ser que … Se não o atiro ele também pode… Olha, eu não sei…

            E foi embora. O peixe, desanimado, desabafou: – Isto é o que eu chamo de
filosofar, ser idealista. Ele queria me ajudar! Estava cheio de boas intenções!
A falta de ar dificultava a vida do peixe a cada momento. Ele já não se aguentava.        Aí passou uma mulher que o percebeu e se aproximando perguntou:

            Como foi que isto lhe aconteceu?

            No meio da explicação do peixe, a mulher o interrompeu perguntando-lhe:
Meu bom amigo! Você já pensou se não tem culpa em tudo isto? Quem me garante que se você voltar para o mar, não vai se repetir o que hoje aconteceu?  Olha, esse negócio de ficar dependendo dos outros não é nada bom! Aliás, você já pensou em se ajudar a si próprio? Daqui a pouco eu volto pra conversar mais um pouquinho com você!

            Por esta o peixe não esperava. Estava na pior e ainda teve que ouvir um sermão. Se eu tenho culpa! Ora, esta! Desanimado ele sussurrou: – Chorando de dor e desespero, o peixe apenas gemia e seus gritos de socorro soavam baixinho. O peixe, na solidão da agonia, via as pessoas passarem na praia, mas ninguém dele se aproximava. Ele fez mais uma tentativa para respirar, e então, morreu!

            Quando a maré subiu, uma onda carinhosa levou consigo o peixe e o sepultou para sempre nas águas do mar. Momentos depois, a mulher voltou e não encontrando o peixe, falou: Eu não disse? Quando alguém está em apuros, bem que se arruma sozinho! E seguiu seu caminho.

            O verdadeiro amor ao próximo não tem barreiras – O samaritano e o judeu eram de povos inimigos, mas isso não impediu sua compaixão. A religião sem amor é vazia – O sacerdote e o levita, apesar de sua posição espiritual, ignoraram o sofrimento do homem. A compaixão exige ação – O bom samaritano não apenas sentiu pena, mas tomou medidas concretas para ajudar. Essa parábola nos desafia a praticar o amor genuíno, indo além das aparências e preconceitos, ajudando quem realmente precisa.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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