sábado, 10 outubro, 2026
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O banquete de Deus: um convite à salvação para todos

No 28º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus apresenta a Salvação por meio da imagem de um banquete. Isaías anuncia uma mesa preparada para todos os povos; o Salmo canta a confiança no Senhor que nos acolhe e alimenta; e Jesus compara o Reino dos Céus a uma festa de casamento.

Uma mesa compartilhada representa mais do que alimento. Ela significa acolhida, encontro, amizade e comunhão. Ao apresentar a Salvação dessa maneira, Deus revela que deseja reunir a humanidade na alegria de sua presença. Seu projeto é que seus filhos tenham vida e participem de seu amor.

No Evangelho (Mt 22,1-14), o rei prepara a festa de casamento de seu filho e manda chamar os convidados. Tudo está pronto, mas eles não querem vir. Alguns seguem para seus campos e negócios; outros chegam a agir com violência contra os mensageiros.

A parábola nos faz perguntar o que ocupa o centro de nossa vida. Trabalho, responsabilidades e projetos têm seu valor, mas podem absorver de tal maneira nossa atenção que deixamos de ouvir o chamado de Deus. Podemos estar tão ocupados com nossos interesses que já não encontramos tempo para a oração, para a comunidade e para quem precisa de nós.

O problema não está em ter ocupações, mas em permitir que elas fechem nosso coração. O convite de Deus nos chama a reorganizar a vida a partir do amor.

Os primeiros convidados recusam o convite. O rei não desiste. O Plano de Deus não é suspenso, o convite permanece e ele vem com mais intensidade porque os convidados não são os esperados. “Convidai para a festa todos os que encontrardes”. E a sala se enche de convidados, maus e bons.

Aqui aparece a força da gratuidade. Deus nos chama antes que possamos apresentar uma vida perfeita. Seu amor toma a iniciativa e nos oferece a possibilidade de recomeçar. A Salvação é dom; nossa resposta nasce do acolhimento desse dom.

As encruzilhadas lembram as pessoas que vivem à margem: os abandonados, os que perderam a esperança, os que carregam feridas e os que se sentem distantes da comunidade. A Igreja recebe a missão de ir ao encontro delas, tornando visível o convite do Senhor.

Uma comunidade que celebra esse Evangelho precisa examinar suas portas e suas atitudes. Quem encontra acolhida entre nós? Quem permanece sozinho? Quem se aproxima e se sente julgado antes de ser escutado? A mesa de Deus nos ensina a reconhecer em cada pessoa alguém chamado à comunhão.

A presença do convidado sem a veste nupcial introduz uma exigência na parábola. O convite é oferecido a todos, mas pede uma resposta verdadeira. A universalidade do chamado não elimina a liberdade humana nem a responsabilidade de acolher a graça.

A veste pode ser compreendida como sinal da vida renovada em Cristo: uma fé que se expressa na caridade, no perdão, na justiça e na conversão. Não basta ocupar um lugar na comunidade; é preciso permitir que o encontro com o Senhor transforme nossas relações e escolhas.

Neste domingo, o Senhor renova seu convite. Ele prepara a mesa e chama todos os povos. Cabe a nós acolher sua graça, deixar-nos transformar e ajudar outras pessoas a reconhecer que também são convidadas.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo Diocesano de Toledo

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