sábado, 3 outubro, 2026
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Por que o voto regional é tão importante

Votar com consciência regional é entender que o voto não deve ser um favor, mas sim uma ferramenta de transformação.

O desenvolvimento de um município depende diretamente da sua capacidade de ter voz nos espaços onde as grandes decisões são tomadas. Ter deputados estaduais e federais compromissados com a nossa região não é um mero detalhe político, mas sim uma necessidade estratégica. São esses parlamentares os responsáveis por destinar emendas, atrair investimentos em saúde, educação, infraestrutura e obras essenciais que mudam a vida das pessoas no dia a dia. Sem um representante que conheça a nossa realidade local, o município acaba ficando invisível no orçamento estadual e federal. Em época de eleição, o cenário se repete: uma multidão de candidatos de fora desembarca na cidade buscando apoio.

São 617 candidatos a deputado estadual e 428 candidatos a deputado federal no Paraná. Boa parte desses candidatos acabam levando votos em municípios que eles nem imaginavam que alguém pudesse votar neles. Os motivos são tão vários que não caberiam nessa edição. Um dos motivos de votos aos tais “paraquedistas” são alguns vereadores que percorrem seus redutos em busca de votos para candidatos que nada tem a ver com a cidade por questões partidárias ou financeiras, visando as eleições de daqui a dois anos. Tem eleitor que vota em candidato só porque o dito cujo é filho do vizinho ou irmão da prima da colega de trabalho. Há candidatos de todos os tipos, a escolher como se fosse numa feira. Com o respeito que todos merecem, como seres humanos e cidadãos, mas não há como negar que algumas candidaturas afrontam a inteligência do eleitor.

Pela falta de reflexão, por afinidades momentâneas ou simples desatenção, muitos eleitores entregam seus votos a figuras que não têm qualquer vínculo ou compromisso histórico com a nossa comunidade. Essa “pulverização” de votos faz com que o município perca a chance de eleger lideranças locais fortes. O resultado é um ciclo doloroso: candidatos forasteiros, os chamados paraquedistas, que levam milhares de votos embora, se elegem com o nosso apoio e somem logo em seguida — só reaparecendo quatro anos depois para repetir o mesmo processo.

É preciso entender que é necessário que haja um entrosamento entre a atual administração municipal e os representantes nas esferas estadual e federal. De nada adianta um deputado que não se relaciona com o prefeito. É ingenuidade achar que o prefeito vai acolher um deputado só porque ele se elegeu e arrumar encrenca com quem o representa há muito tempo. Mais ingenuidade ainda é achar que um novo deputado vai conseguir espaço no governo do estado que já tem cadeira cativa de algum representante de município. A política tem seus rituais. Se é errado ou certo, só se sabe que é assim. E não existe nenhuma possibilidade de mudar a receita, porque, terreiro que já tem galo, frango não canta.

Votar com consciência regional é entender que o voto não deve ser um favor, mas sim uma ferramenta de transformação. Quando priorizamos candidatos que vivem a nossa rotina, atendem nossas demandas e têm compromisso real com o nosso desenvolvimento, garantimos uma porta aberta em Curitiba ou Brasília durante todo o mandato, e não apenas uma promessa em período de campanha. Fortalecer a representatividade local é garantir que os recursos voltem para onde mais precisamos. Votar não é só escolher um candidato, é muito mais do que isso. Votar é ajudar a colocar a pessoa certa no lugar certo. E só tem um jeito de saber se votou certo: olhando para quem está ao seu lado no dia a dia. Votar certo é escolher alguém que você realmente conhece, não precisa ser pessoalmente, mas que você saiba que tem capacidade técnica comprovada, que já fez alguma coisa, já mostrou serviço, afinidade verdadeira com o município e uma boa articulação com a administração local para abrir portas e trazer recursos — e não apenas um “amigo da família”, o parente do vizinho, indicado do patrão ou um conhecido de ocasião. Quando você escolhe quem tem preparação, história e trânsito político real na cidade, você não precisa esperar 4 anos para ver o resultado: a cobrança é direta, o trabalho acontece e as melhorias chegam onde a gente vive.

Por Clóvis de Almeida

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