sábado, 12 setembro, 2026
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 Professora Vanda e o abraço que humaniza a escola

Numa manhã do mês de setembro de 2026, no Colégio Estadual Chateaubriandense, tive o privilégio de contemplar uma cena que, infelizmente, raramente se vê no território escolar e que merece ser registrada como um verdadeiro exemplo de humanidade e principalmente numa época em que existe antagonismo em diferentes esferas da sociedade.

            Estudantes do primeiro ano do curso de Formação Docente, ao perceberem a chegada da professora Vanda Primo ao colégio, correram em sua direção. Uma a uma, as estudantes a receberam com abraços calorosos. Em seguida, formaram um círculo e deram um abraço coletivo na professora. Foi um momento simples, espontâneo e, ao mesmo tempo, profundamente significativo.

            Era possível perceber a emoção no rosto da professora diante daquele gesto de carinho. Não se tratava apenas de um abraço. Naquele instante, aquelas estudantes demonstraram reconhecimento, afeto, respeito e gratidão por alguém que, certamente, ocupa um lugar importante em suas trajetórias.

            A cena nos leva a uma reflexão necessária: que tipo de sociedade estamos construindo e que tipo de escola queremos para o futuro?

            Vivemos em uma sociedade marcada, muitas vezes, pela frieza, pelo individualismo, pela indiferença, pelo imediatismo, pelo oportunismo e pela busca constante de interesses pessoais. Em meio a relações cada vez mais aceleradas e, por vezes, superficiais, o outro pode deixar de ser visto como ser humano e passar a ser tratado apenas como alguém que pode oferecer alguma vantagem.

            Essa realidade também atravessa os espaços escolares. A escola não está isolada da sociedade. Nela chegam os conflitos, as desigualdades, as intolerâncias e a dificuldade de estabelecer relações verdadeiramente humanas. Por isso, quando presenciamos uma manifestação espontânea de carinho como a que ocorreu com a Professora Vanda, percebemos que ainda existe espaço para a humanização das relações sociais e educacionais.

            O abraço daquelas estudantes nos lembra que educar não significa apenas transmitir conteúdos, cumprir programas ou preparar para avaliações. Educar também é criar vínculos, cultivar valores, aprender a respeitar, agradecer, acolher e reconhecer o outro.

            E há algo ainda mais significativo nesse episódio: estamos falando de estudantes de Formação Docente. Futuras professoras. Mulheres que, amanhã, estarão diante de crianças e adolescentes e terão a responsabilidade de participar da formação de novas gerações.

            Que elas levem consigo essa experiência. Que compreendam que um professor não é apenas aquele que ensina Matemática, Língua Portuguesa, História ou qualquer outro componente curricular. O professor também ensina pelo exemplo, pelo olhar, pela escuta, pela presença e pela maneira como trata seus estudantes.

            Um abraço não resolve todos os problemas da educação, é verdade. Mas pode representar algo muito maior: a escolha pela afetividade em vez da indiferença; pela gratidão em vez do esquecimento; pelo cuidado em vez da frieza; pela humanidade em vez da desumanização.

            Aquele momento vivido no Colégio Estadual Chateaubriandense talvez tenha durado apenas alguns minutos. Entretanto, seu significado pode permanecer por muito tempo.

            Em uma sociedade que tantas vezes parece esquecer o valor do afeto, um abraço pode ser também um ato de resistência.

            Resistência à indiferença. Resistência ao individualismo. Resistência à banalização das relações humanas. Que a escola continue sendo também esse lugar onde as pessoas aprendem a ser mais humanas.

            E que o abraço daquelas estudantes à professora Vanda Primo nos faça lembrar de uma verdade simples, mas poderosa: ninguém educa verdadeiramente sem estabelecer vínculos, e ninguém esquece facilmente quem um dia o fez sentir-se amado, respeitado e importante.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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