Setembro é um mês dedicado à temática da saúde mental e à atenção especial aos adultos com transtornos mentais com risco de suicídio. Importante também olharmos para as nossas crianças. Adultos com transtornos mentais podem ter apresentado seus primeiros sintomas durante a infância.
O convite especial de hoje é o de voltarmos a atenção às crianças e observarmos seu mundo interior, para que a ajuda seja ofertada o mais breve possível, como prevenção dos agravos.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde indicam que, nos próximos vinte anos, a depressão deverá se tornar a doença mais comum do mundo, atingindo mais pessoas que o câncer e os problemas cardíacos. Engana-se quem acha que somente os adultos são afetados por ela. Crianças a partir de quatro anos podem apresentar sintomas que merecem atenção e tratamento.
Nesta segunda-feira, dia 7 de setembro, um menino de sete anos foi encontrado pela mãe, em sua residência na zona leste de São Paulo, suspenso pelo pescoço, por uma corda de brinquedo. Foi socorrido, mas não resistiu. Não é possível afirmar que, nesse caso, a causa é a depressão, mas a maior hipótese é a morte por suicídio.
É delicado o diagnóstico de crianças com depressão, uma vez que estão em plena fase de desenvolvimento psicossocial. É comum confundir os sintomas depressivos com comportamentos típicos da idade. Qualquer sintoma acentuado, que perdure por mais de duas semanas, requer atenção especial.
Crianças menores, a partir de quatro anos, podem se tornar mais chorosas, melancólicas, apresentar ansiedade ao se separar dos pais e ter receio de dormir sozinhas. O sono é perturbado e desperta relatando pesadelos. Podem ainda se queixar de dores na barriga e regredir em algum aspecto do desenvolvimento, por exemplo, voltar a fazer xixi na cama.
A partir dos seis anos, os sintomas estão mais relacionados à sociabilidade, com tendência ao isolamento e retraimento, e na escola apresentam baixo rendimento. O professor pode ser um agente de visualização dos problemas emocionais da criança, uma vez que percebe as alterações no comportamento infantil com facilidade e não é como os pais, que resistem em não enxergar os problemas da criança e, por vezes, nem aceitam o diagnóstico de um especialista.
A dificuldade dos pais em aceitar que a criança está enferma esbarra nas causas da depressão infantil, que também estão relacionadas à dinâmica familiar, falta de atenção por parte dos pais e falta de vínculo afetivo satisfatório. A genética e a convivência com adultos deprimidos também são determinantes para o desenvolvimento da depressão infantil. Crianças que convivem com mães em depressão materna são quatro vezes mais propensas a desenvolver a doença.
Depressão infantil é coisa séria, se diferencia da tristeza do dia a dia pela intensidade, persistência e as mudanças nos hábitos normais da criança. Lembre-se de que a criança não dirá que está deprimida, precisa ser observada e tratada, com psicoterapia em casos mais leves e com auxílio medicamentoso em casos mais graves. Quanto mais precoce o tratamento, maior sua eficácia. Ao adiar o problema, maiores as consequências e a probabilidade da reincidência.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga e Mestre em Promoção da Saúde.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.


