O crescimento do agronegócio brasileiro de quase 300% em 50 anos não se deveu apenas à expansão da área cultivada, abertura de novas regiões produtoras e diversificação das culturas. Esses fatores até tiveram importância na evolução positiva, mas dados históricos mostram que foram apenas parte da expansão da agropecuária nacional. Conforme estudos, nas últimas cinco décadas o Brasil aumentou a oferta de grãos, derivados e proteínas animais produzidas em propriedades rurais, com trabalho humano, tecnologia e capital investido. Assim, em 50 anos o agronegócio brasileiro multiplicou sua produção, acumulando desde 1975 aumento de 297% da produção. Na prática, esse avanço espetacular se deveu tanto à competência, tradição, vocação e dedicação de produtores e trabalhadores rurais, fertilidade e topografia do solo, recursos hídricos, clima favorável, pesquisa agropecuária, melhoramento genético, mecanização, plantio direto e novas práticas de manejo e intensificação de lavouras, que permitiram a enorme multiplicação da produção.
O avanço excepcional foi resultado de agricultura muito diferente daquela existente na década de 1970, com o País deixando de ser participante secundário de várias cadeias produtivas e passando a ocupar posição central na produção e comércio internacional de soja, milho, carnes, café, açúcar, algodão e celulose. O indicador Produtividade Total dos Fatores (PTF), que mede quanto a produção cresce em relação ao conjunto de recursos utilizados, como terra, mão-de-obra, tempo e capital financeiro, mostra que entre 1975 e 2020, a agropecuária brasileira apresentou crescimento médio de 3,37% ao ano. Segundo estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considerando 1975 como ponto inicial, o aumento da produção foi de 297% até 2019. Nesse mesmo intervalo, o volume de produtos aumentou 392%, enquanto o conjunto de insumos consumidos avançou 24%. Essa diferença indica que o crescimento não veio apenas da utilização de mais recursos. Houve também aumento expressivo da eficiência com que esses recursos foram utilizados.
A atualização da série, abrangendo o período de 1975 a 2022, apontou crescimento médio anual de 3,23%, com expansão de 3,70% da produção e de 0,45% do uso de insumos. Entre 2000 e 2023, a produção brasileira de grãos avançou de 81 milhões de toneladas para 287 milhões por safra, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reunidos em estudo da Embrapa. Isso representa crescimento aproximado de 254% no período. A produção de soja passou de 33 milhões para 148 milhões de toneladas, enquanto a de milho aumentou de 32 milhões para 116 milhões de toneladas. A produção de carnes também dobrou entre 2000 e 2023, passando de aproximadamente 15 milhões para 30 milhões de toneladas em peso de carcaças. A carne de frango avançou de seis milhões para 15 milhões de toneladas. Na safra 2024/25, a produção brasileira de grãos chegou ao então recorde de 350,2 milhões de toneladas, segundo o levantamento final da Companhia Nacional de Abastecimento (CNA). A área cultivada passou de 79,9 milhões para 81,7 milhões de hectares, com expansão de 1,9 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média subiu 13,7%, de 3.769 para 4.284 quilos por hectare, graças à competência dos produtores. Nas próximas décadas, o desafio será produzir mais valor e não somente mais quantidade.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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