sábado, 8 agosto, 2026
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Pai de verdade é pai presente

No próximo domingo, comemoramos o Dia dos Pais. É uma data importante, que dificilmente passa em branco pelos filhos e familiares daqueles que assumem o verdadeiro papel de pai. Também é uma excelente oportunidade para refletirmos sobre o papel que os pais desempenham na construção emocional dos filhos.

Durante muito tempo, acreditou-se que, para ser um bom pai, deveria garantir o sustento da casa. Nesse contexto, demonstrar sentimentos ou mesmo participar da rotina dos filhos eram tarefas que a mãe assumia. Esse modelo vem mudando, embora muitos homens ainda carreguem hábitos que dificultam uma relação mais próxima com seus filhos.

Uma das falhas mais comuns é acreditar que “estar em casa” é o mesmo que “estar presente”. Muitos pais passam horas ao lado dos filhos, mas com a atenção voltada ao celular, à televisão ou ao trabalho. As crianças, porém, não medem o amor pelo tempo cronológico, mas pela qualidade da atenção recebida. Quinze minutos de conversa verdadeira podem valer mais do que uma tarde inteira de convivência distraída.

Outra dificuldade frequente é a pouca demonstração de afeto. Muitos homens cresceram ouvindo frases como “homem não chora” ou “não demonstre fraqueza”. Sem perceber, acabam reproduzindo esse padrão com seus filhos. No entanto, crianças precisam ouvir “eu te amo”, receber abraços, sentir acolhimento e perceber que podem confiar no pai também nos momentos de tristeza, medo ou insegurança.

Também é comum que alguns pais assumam o papel de autoridade quase exclusivamente por meio da cobrança e da disciplina. Embora limites sejam necessários, mais do que aprender pelo medo das consequências, eles aprendem observando principalmente os exemplos e comportamentos do pai. Quando o pai garante que as orientações sejam de forma respeitosa, assim o filho também aprenderá a se comportar. Quando um pai pede desculpas a um filho, está ensinando uma importante lição, a de humildade. Quando o pai controla a própria raiva, ensina ao filho formas de autocontrole emocional.

Outro ponto importante é a participação na rotina dos filhos. Alguns homens acreditam que ajudar nas tarefas escolares, brincar, dar banho, preparar uma refeição ou acompanhar uma consulta médica são atividades secundárias. Na verdade, são esses pequenos momentos que constroem as grandes lembranças da infância. A presença cotidiana comunica à criança o quanto ela é importante na vida do pai.

Também há muitos pais que desejam estrar mais presentes, mas, por motivos de extensas jornadas de trabalho e preocupações financeiras dispõem de pouco tempo com os filhos e carregam o peso da culpa.

Independente do tempo disponível, da criação que tiveram e do perfil comportamental, é possível criar momentos significativos. Uma refeição sem distrações, uma caminhada, uma história antes de dormir ou uma conversa sobre como foi o dia podem fortalecer profundamente o vínculo familiar.

Nenhum pai é perfeito, mas, todo filho espera do pai a disponibilidade e a vontade de estarem juntos.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.

Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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