sexta-feira, 12 junho, 2026
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Por Clóvis de almeida

Hoje é mole assistir a Copa

Hoje é muito fácil assistir à televisão. Desde aquisição do aparelho, instalação e sintonização de canais. São várias as mídias que possibilitam acessos aos canais abertos e pagos. Além do sinal digital das antenas de retransmissores locais, contamos com as parabólicas que nos trazem diversos canais. Pelos sinais pagos e aplicativos comprados ou de graça, temos televisão no celular ou em modernos aparelhos de televisão chamados de smart-tv. São raras as pessoas que não têm acesso à televisão.

TV no bar

Assisti aos jogos do Brasil na Copa de 70 do meio da rua, junto com meu pai. Os jogos eram à noite e a única televisão que podíamos chegar perto era a do bar do Luiz Rato, na Avenida Tupãssi esquina com a Rua Riachuelo. Lotava de gente para ver a televisão colocada num poleiro para que uma multidão que ocupava esquina pudesse assistir. O outro aparelho de TV que havia na cidade era a do Dr. Rudy, na casa dele. A antena era montada num tronco de árvore que ficou no local até há poucos anos, junto ao prédio da Colonizadora.

Vida dura

Quem viveu os anos de colonização do sertão paranaense sabe o que é não ter televisão ou, no máximo, uma imagem e som chiados, parecendo uma caixa de abelha. Anos depois, quando a televisão começou a chegar para boa parte das famílias, era cena comum ver pessoas em cima de telhados, rodando antenas e gritando: “Agora pegou?”. E a resposta vinha de baixo: “Volta, volta, mais pra direita!”. E nada de pegar nada.

Jeitinho pra tudo

Boa parte colocava a antena da televisão num cano em pé na beira da janela. Um prego grande espetado num buraco do cano servia de manivela para girar a antena, enquanto se acompanhava na tela a melhor posição, com menos chuvisco. Era o sinal da Televisão Tibagi, canal 11 de Apucarana, que chegava em Assis Chateaubriand bem fraquinho, depois de passar por outras repetidoras no meio do caminho. A nossa repetidora era instalada em Jesuítas, por ser local mais alto. Meu pai trabalhou na construção da casinha do transmissor, a serviço da Prefeitura de Assis.

Parecia neve

Em preto e branco, com fantasmas e pontinhos parecendo neve, era possível assistir à “Buzina do Chacrinha” e as novelas da Globo. Eu gostava mesmo era dos seriados que passavam nas tardes. Em casa não havia televisão, mas eu ia no meu tio Afonso Davanzo ou no bar do Luis Rato pra assistir Ivanhoé, O Túnel do Tempo e Perdidos no Espaço. Havia ainda os jornais da Tibagi, apresentado por Nelson Baltazar, um locutor vozeirão que balançava a cabeça conforme formava as frases. Era engraçado.

Imagem melhor

Em 1975, a Prefeitura de Cascavel construiu uma repetidora da Globo com uma maior potência. A partir de então, um sinal melhor vinha de lá, no canal 8, com imagens da TV Cultura de Maringá. Foi então que a Tibagi se despediu da região oeste. Meio século depois, se duvidar temos hoje televisão que pega até em cabo de faca. Esses meninos que se divertem e até ganham dinheiro com o Youtube nunca saberão o que é passar raiva para assistir alguma coisa numa tela que mostrava um emaranhado de risco, ora parecendo neve, ora como chuva de granizo. Fios estão virando coisa do passado. Acho que em pouco tempo até barata não terá mais antenas.

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