Tem-se observado, nas últimas décadas, um aumento significativo no número de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Isso por conta de vários fatores, dentre eles, maior conscientização sobre o tema, melhora na capacitação dos profissionais que avaliam essa demanda, a redução dos preconceitos e ampliação dos critérios diagnósticos. Nesse contexto, há uma necessidade expressiva e que muitas vezes fica relegada a segundo plano, a importância da família acompanhar integralmente o desenvolvimento dos filhos.
Em muitos casos, quando a família recebe o diagnóstico de autismo do filho, acredita que não há muito o que fazer por ele em relação aos aspectos comportamentais, afinal, esses são explicados pelo transtorno. Quando há indicação de acompanhamentos com especialistas (psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, médico, etc.) os pais se esforçam na providência do que lhes foi solicitado. No entanto, o foco, para esse conteúdo, é a importância dos pais investirem tempo e disposição no desenvolvimento dos filhos.
São eles que convivem diariamente com a criança e têm a oportunidade de transformar momentos simples em experiências ricas de aprendizado.
Um ponto de atenção importante é a permissão para o uso excessivo de telas, como celulares e tablets. Embora muitas vezes utilizados como forma de entreter ou acalmar a criança, esses meios podem prejudicar o desenvolvimento da linguagem, da interação social e da capacidade de atenção, especialmente nos primeiros anos de vida. Para crianças com TEA, esse impacto pode ser ainda mais significativo, uma vez que elas já apresentam desafios nessas áreas.
Substituir o tempo de tela por interações reais é um dos caminhos mais eficazes para estimular o desenvolvimento infantil. Brincar com a criança, conversar, cantar, contar histórias, propor jogos simples e incentivar a exploração do ambiente são atitudes que fortalecem vínculos afetivos e promovem aprendizagens essenciais. O brincar, longe de ser apenas uma atividade lúdica, é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento. O olhar sensível e acolhedor da família faz toda a diferença nesse processo.
Cuidar de uma criança com autismo exige dedicação, paciência e sobretudo, presença. É na presença verdadeira, no olhar atento e no tempo compartilhado, que ocorre o desenvolvimento e os vínculos mais importantes são construídos.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

