Muitos acreditam que cair em golpe é algo que acontece apenas com as outras pessoas e pensam que os que já passaram por essa experiência são coitados ou ingênuos. No entanto, todos somos vítimas em potencial. Compreender o processo é a melhor forma de se proteger.
A maior parte dos golpes é facilitada pelo universo digital. Embora promova a comunicação e a realização de inúmeras atividades cotidianas, também expõe as pessoas a golpes como fraudes financeiras, falsas propostas de emprego, compras em lojas que não existem, clonagem de WhatsApp, golpes envolvendo transferências via Pix e até relacionamentos fraudulentos.
Os estelionatários mais descarados realizam a abordagem presencial, com velhos golpes do bilhete premiado, ajudam a sacar os valores no caixa eletrônico ou a recolha do cartão na casa do idoso por um falso motoboy.
O primeiro princípio explorado pelos golpistas é o da confiança. A maioria das pessoas tende a acreditar nas outras, sem muita contestação. Prova disso são as fake news.Quem cai em golpes interpreta os sinais que recebeu como verdadeiros, não encontrando motivos para desconfiar.
Acreditar ou não em algo envolve uma análise complexa sobre o sistema de crenças, valores e personalidade das pessoas. Nossa percepção não está treinada a desconfiar sempre.
Por trás de cada golpe, há sempre uma história. As pessoas, de alguma forma, se identificam com a narrativa do golpe. Pode estar relacionada a uma fraqueza pessoal, um desejo ou acreditar que a situação lhe trará uma vantagem. Por exemplo, uma oferta de dinheiro fácil pode calhar com a necessidade ou mesmo o medo de perder uma grande oportunidade.
Histórias absurdas raramente irão convencer, mas, quando bem contadas, são interpretadas como verídicas. Acreditam sim que é uma grande oportunidade a ser aproveitada ou sentem-se compelidas a ajudar de alguma forma.
O desespero ou senso de urgência também é outro fator que favorece os golpes. Às vezes a pessoa precisa tanto de dinheiro que as ofertas de dinheiro fácil são irresistíveis. O endividamento deixa as pessoas mais vulneráveis, fazendo-as acreditar que existem soluções fáceis, rápidas e acessíveis.
Golpes são emocionais. Para evitar, sempre tente adiar o que for fazer, ou seja, pense um pouco, busque sites de reclamação ou faça buscas na internet pelo nome da empresa que você está prestes a contratar um serviço. Mecanismos de checagem irão te ajudar. Vale a máxima, se a oferta for boa demais, desconfie.
Outra forma é partilhar com pessoas da sua confiança ou familiares próximos a situação em que está envolvido. O olhar externo pode ser a melhor ajuda na tomada de decisões assertivas. Use e abuse de precauções uma vez que os prejuízos podem ser irreparáveis.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.




