Tive oportunidade de ler com rigor e radicalidade o texto do compositor e produtor musical Silvestre Carvalho em que ele chama a atenção sobre as ilusões da vida com a seguinte reflexão musical: “Tem gente que passa a vida inteira dizendo, Isso é meu, aquilo é meu. Minha terra, meu ouro, minha casa, meu dinheiro, meu lugar. Mas existe uma verdade, Que o tempo ensina sem pedir licença. A gente chega sem trazer nada, E um dia vai embora, Sem levar nada também. Eu já vi homem contando riqueza Como se nunca fosse partir Guardando ouro, juntando fortuna Esquecendo até de sorrir Já vi orgulho morrer.”
Vivemos em uma sociedade em que muitas pessoas valorizam excessivamente os bens materiais, como dinheiro, casas, terras e ouro. A música apresentada faz uma reflexão importante sobre esse comportamento, mostrando que, apesar de passarmos a vida acumulando riquezas, não podemos levar nada disso quando morremos.
Na minha opinião, o maior erro do ser humano é acreditar que a felicidade está apenas naquilo que possui. Muitas pessoas dedicam toda a sua vida ao trabalho e à conquista de bens materiais, esquecendo-se de aproveitar os momentos simples, estar com a família, cultivar amizades e ajudar quem precisa. Ter dinheiro e conforto é importante, mas isso não deve ser mais valioso do que o amor, o respeito e a paz de espírito.
Além disso, o orgulho e a ganância podem afastar as pessoas umas das outras. Às vezes, alguém se preocupa tanto em conquistar mais riquezas que acaba esquecendo de sorrir, de compartilhar e de viver verdadeiramente. A música nos lembra que a vida é passageira e que ninguém é dono de tudo para sempre.
Portanto, precisamos aprender a valorizar aquilo que o dinheiro não pode comprar. Mais importante do que acumular riquezas é construir boas lembranças, praticar a solidariedade e tratar as pessoas com dignidade. Afinal, não somos lembrados apenas pelo que possuímos, mas principalmente pelo que fazemos e pelo bem que deixamos na vida dos outros. O verdadeiro valor da vida está nas experiências, nos sentimentos e nas atitudes que permanecem na memória de quem conviveu conosco. No fim o que fica não é o que acumulamos, mas o que vivemos, o que amamos e o bem que fazemos. A mensagem é valorizar as pessoas, pois o tempo não espera.
Outra lição importante deixada pelo estoicismo e que vale a pena lembrar: Em geral, cobiçamos o que as outras pessoas têm. Tentamos desesperadamente nos igualar aos vizinhos, ao mesmo tempo que os vizinhos sofrem tentando se igualar a nós.
Seria engraçado se não fosse tão triste. Assim, hoje, pare de tentar conseguir o que outras pessoas têm. Combata seu impulso de juntar e acumular. Essa não é a maneira correta de viver e agir. Aprecie e aproveite o que você já tem, e deixe essa atitude guiar suas ações.
Por outro lado, o “bem” que os estoicos defendem é mais simples e mais direto: sabedoria, autocontrole, justiça, coragem. Ninguém que alcança essas virtudes experimenta o remorso do comprador.
* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
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