sábado, 3 outubro, 2026
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Por Clóvis de Almeida

Os paraquedistas estão aí!

Já falei sobre isso em outros anos, aqui mesmo neste espaço de O Regional. Assim como vendas de Natal, campanha de Páscoa ou Dia das Mães, a época leva ao assunto e o torna pauta obrigatória: a avalanche de candidatos a deputado estadual e federal que rondam as cercanias em busca de votos, garimpados como se fossem pedras preciosas. São os conhecidos paraquedistas, candidatos de regiões alheias aos problemas dos viventes locais. Eles vêm ávidos por apoios, destilando horizontes que, muitas vezes, nem eles mesmos conhecem. Alguns são experientes, são ou já estiveram eleitos, mas a maioria é marinheiro de primeira viagem tentando ocupar um espaço importante em Curitiba ou em Brasília.

Quem são eles?

Essa revoada de candidatos vem de pelo menos 60 anos, em épocas de eleições e continua atual, sem necessidade de mudar uma vírgula. Esses paraquedistas em busca de votos estão por aí. Não é olhando para o céu que os veremos, mas sim pelas entradas das cidades, por onde eles baixam, que não são novidades pra ninguém, pois não são ases do ar, mas sim pedintes de votos. São gente que vêm de longe, muitos dos quais nunca tínhamos ouvido falar até o momento em que eles se apresentam com planos fantásticos, na medida certa para cada município, como se tudo pudesse ser resolvido com dedos de Midas, o personagem da mitologia grega que tudo o que tocava virava ouro.

Cachorro magro come e vaza!

Isso não é novidade pra ninguém, assim como também não é o fato de, em cada resultado de eleição, nos depararmos com punhados de votos dados a candidatos que moram do outro lado do Estado. É normal os pequenos nichos de eleitores distantes dos redutos eleitorais, e não podemos criticar porque os nossos representantes legítimos também usam desse expediente em outras plagas, caso contrário não conseguiriam se eleger. Mas o que não se pode entender como certo é um município dedicar votos a alguém que nunca mais volta depois das eleições, tal qual cachorro magro: come e vaza! Toda cidade tem exemplo de um ou mais eleitos que prometeram mundos e fundos e depois desapareceram, sem dar a mínima satisfação para 500, mil ou até mais votos que os levaram à Assembleia ou para Brasília.

Importante é o bol$o

Pior que os paraquedistas são quem os trazem, do nada, num bafo de fumaça mágico. São políticos, gente ligada à política, imprensa, comércio, entidades de classes ou a associações de bairros. Gente com dezenas de motivos para ciceronear candidatos ETs e que os apresentam para pedir votos de parentes, amigos, vizinhos, bairros, eleitores e a todos que conhecem ou nunca viram. As razões variam, como, parentescos com esses estranhos que chegam do nada, amizade, ou o famoso “acerto” político para levar uns bons trocados, que variam conforme o nome e bolso do paraquedista.

Paraquedista caseiro

Há ainda o paraquedista de casa. Como assim? Sim, é aquele candidato que bebeu da nossa água, que sentiu vendavais conosco, mas que não respira mais nosso ar, porque vive em outro mundo, em outra cidade, a não ser quando aparece de vez em quando para rever amigos e parentes. É gente nossa? Claro que é, merece todo nosso respeito. Viva! Seja bem vindo! Mas querer ser votado como representante do povo é achar que somos obrigados a eleger candidatos só porque é gente nossa. É preciso ter vínculos institucionais, estar ligado aos canais que administram nossa gente. Caso contrário, será apenas um político de estimação.

Menosprezo

Um grande número de políticos eleitos, Brasil a fora, hoje bate na porta de seu eleitorado com um paraquedista desconhecido embaixo do braço. O sujeito entra na sua casa, toma o seu café, lhe abraça como se fossem amigos de infância, pede o seu voto, lhe dá uns tapinhas nas costas, saem pela porta da sala para nunca mais voltarem, ou até daqui há 4 anos. Está errado? Legalmente não! Mas apresentar a mim um candidato a deputado sem eira e nem beira, sem nenhum vínculo com o município, só porque ele é de um partido ou porque ele é amigo de um amigo, é, no mínimo, falta de respeito para com a minha inteligência.

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