sábado, 26 setembro, 2026

Por Clóvis de almeida

“Miorô” muito

Apesar das dificuldades financeiras para muitos, de saúde, física ou psicológica, podemos dizer que a vida está mais fácil do que há 40 anos atrás. Há remédios para muitos males que antes eram impossíveis de serem pensados, tirar dúvidas é um estalar de dedos na internet e encontrar pessoas já não é mais uma agulha no palheiro. Apesar disso, as pessoas continuam cada vez mais solitárias, mesmo que acompanhadas através de um telefone celular, onde de um outro lado há também um ser sozinho que acredita estar acompanhado.

Maluco, não!

É comum vermos pessoas rindo sozinhas pelas ruas, quando na verdade riem por causa das conversas mantidas pelo aparelhinho que não lhes saem das mãos. São como extensões do próprio corpo, que começam a cada dia mais cedo fazer parte dos seres humanos. Já é normal o uso dessa incrível tecnologia nas mãos de crianças, que aprendem logo a dedilhar mensagens e outras “utilidades” do mundo moderno.

Tudo liberado

Os aparelhos celulares nasceram enormes, parecendo tijolos, para depois diminuírem a ponto de parecerem chicletes, até terem seus tamanhos crescidos, por causa da tecnologia da imagem, os smartfones, que a cada dia são mais perfeitos. Já se pode fazer quase tudo pelo celular, até sexo virtual, o que, aliás, encontrou nesse novo mundo das telinhas, um meio de propagar, ainda mais e melhor, a libido. Em cada três grupos de WhatsApp, um contém sexo explícito, em fotos, textos ou vídeos. E as crianças estão em contato com esse mundo cada vez mais cedo, o que se pode nominar de perversão.

Mundo perdido

Por tudo e muito mais é possível afirmar que a vida está mais fácil. O meio facilita até a piorar as coisas, pois, do jeito que vão, não dá para saber como será a rebatida do mundo atual, lá na frente. A letra da música de Tião Carreiro é antiga, mas muito atual: “Mundo velho está perdido / Já não endireita mais / Os filhos de hoje em dia / Já não obedecem mais os pais / É o começo do fim / Já estou vendo os sinais / Metade da mocidade / Está virando marginais / É um bando de serpente / Os mocinhos vão “na” frente / As mocinhas vão atrás.

Verdade, compadre!

Exageros à parte, tem muito de verdade na poesia caipira. O pior é que os males estão se multiplicando e a culpa é do meio que nos indica os caminhos. Em nome da proteção da criança e do adolescente, os exageros impedem a mesma educação do passado que nos trouxe até aqui. Se ela não era perfeita, o que se faz hoje é permitir o pior. Mais uma vez a moda sertaneja cantou a pedra antes: “O filho parece Rei/ Filha parece Rainha / Eles que mandam na casa / E ninguém tira farinha / Manda a Mãe calar a boca / Coitada fica quietinha / O Pai é um zero à esquerda / É um trem fora da linha / Cantando agora eu falo / Terreiro que não tem galo / Quem canta é frango e franguinha.

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