sábado, 26 setembro, 2026

O sim que se torna vida

A Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum nos dirige um convite: “Convertei-vos e vivereis” (Ez 18,32). Deus chama seus filhos a participar da vida do Reino e lhes oferece a possibilidade de recomeçar. Nossa resposta a esse chamado envolve palavras, escolhas e atitudes.

No Evangelho (Mt 21,28-32), um pai pede aos dois filhos que trabalhem na vinha. O primeiro diz que não, mas depois se arrepende e vai. O segundo responde que sim, porém não vai. Ao perguntar qual deles fez a vontade do pai, Jesus convida os sumos sacerdotes e os anciãos a examinar a própria resposta a Deus.

Eles tinham ouvido a pregação de João Batista, mas não acolheram seu apelo à conversão. Publicanos e prostitutas, por sua vez, creram e começaram a mudar de vida. Por isso, Jesus afirma que eles os precedem no Reino. Não se trata de justificar o pecado, mas de reconhecer a misericórdia de Deus, que acolhe quem se arrepende e abre um caminho novo.

Os dois filhos também nos ajudam a olhar para nós mesmos. Às vezes, resistimos ao que Deus nos pede. Adiamos um perdão, evitamos uma responsabilidade, deixamos de atender alguém que precisa de nós. Outras vezes, dizemos “sim” na oração e na celebração, mas nossas atitudes não acompanham o que professamos. O Evangelho nos chama a reconhecer essa distância com sinceridade e a dar um passo de conversão.

Trabalhar na vinha do Senhor é viver como filhos e irmãos. É cuidar das relações na família e na comunidade, agir com justiça, servir sem buscar reconhecimento e permanecer atentos aos mais necessitados. Nossa fé encontra expressão nesses gestos cotidianos.

O pai da parábola diz: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha”. O convite é para hoje. Mesmo quando nossa primeira resposta foi uma recusa, podemos voltar atrás e seguir o caminho que Jesus nos mostra.

Fazer a vontade do Pai exige mais do que conhecer seus Mandamentos ou se declarar fiel a eles. Exige escutar o chamado de Deus e responder com a própria vida. O primeiro filho nos recorda que uma recusa não precisa ser a última palavra. Há sempre a possibilidade de reconhecer o erro, arrepender-se e recomeçar. O segundo nos adverte de que uma resposta piedosa pode ficar vazia quando não se transforma em compromisso.

Em Jesus, encontramos aquele que viveu plenamente a vontade do Pai. Ao segui-lo, aprendemos a unir a fé que professamos às escolhas de cada dia. A vinha continua à nossa espera, na comunidade, na família e no cuidado com quem precisa de nós. Peçamos a graça de reconhecer nossas resistências, acolher o convite à conversão e dar, com nossos gestos, verdade ao nosso “sim”.

Por meio das Sagradas Escrituras, o Senhor nos fala, revela seu amor e ilumina nossos passos. Celebrar o Dia da Bíblia é renovar o compromisso de escutar a Palavra e colocá-la em prática. Que ela encontre lugar em nossas casas, em nossas comunidades e em nossas decisões. Como Maria, guardemos a Palavra no coração e deixemos que ela nos conduza a Jesus Cristo.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo Diocesano de Toledo

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