O dia em que eu morri
Em 1980, um rapaz chamado Clóvis de Almeida morreu em um acidente de moto em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Uma semana depois, alguém viu a notícia num jornal de lá e ligou para familiares aqui em Assis, dizendo que o falecido era eu. Poucas pessoas ficaram sabendo disso e apenas uma meia dúzia de gente ligou para dar os pêsames à minha família.
Muito devagar
Naquela época, a notícia andava no lombo de burro ainda. Hoje, temos as redes sociais, onde a maioria das pessoas se sente um pouco repórter e faz a repercussão relâmpago de qualquer coisa, inclusive de erros, o que se tornam muitas vezes irresponsabilidades e enormes estragos na vida de pessoas.
Sem pensar
Há não muito tempo, uma jovem senhora e ex-moradora de Assis, que hoje mora distante, imbuída das melhores intenções, distribuiu no Facebook uma nota de pesar e, com ela, a notícia de que uma pessoa muito conhecida havia falecido, postando até uma foto recente das duas.
Estrago feito
A repercussão foi grande, fazendo com que muita gente compartilhasse a informação e outro tanto disparasse ligações aos familiares que estariam de luto, conforme a notícia, abalados com o falecimento de alguém que nunca morreu.
Limpando a merda
No dia seguinte, a mesma “noticiante” publicou outra postagem para pedir desculpas, informando que a amiga se encontrava em coma num hospital e não havia morrido não.
Devia checar a informação
É possível imaginar o transtorno que a informação errada causou. Uma chateação para a família que sofre com a pessoa num leito e uma situação constrangedora para quem publicou algo que podia ter sido evitada, bastando ligar para um familiar da amiga, antes de sair escrevendo o que não tinha certeza.
Maria vai com as outras
É claro que deve haver ainda uma terceira pessoa na história, a que informou um óbito que não existiu. Porém, o mico é de quem postou.
Fatos como este podem ocasionar muito mais do que um simples transtorno. Deles, costumam resultar também prejuízos morais, financeiros e até tragédias.
Liberdade não é libertinagem
As redes sociais são ferramentas indispensáveis para a democracia, mas elas devem também obedecer aos critérios da informação quando distribuídas em rede, onde milhares de pessoas têm acesso.
Quando a informação passa do pessoal para o coletivo, ela precisa obedecer a critérios que evitem prejuízos a terceiros e a si próprio. É por isso que no Jornalismo existem regras, como no Artigo Segundo do Código de Ética, que afirma: A divulgação da informação, precisa e correta, é dever dos meios de divulgação pública, independente da natureza de sua propriedade. No Artigo 14: A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo. A pressa no intuito de querer informar antes de todo mundo é que leva a vaca pro brejo. Bem dizia minha mãe que o apressado come cru e quente.
Desconhecimento é ignorância
Alguém poderá dizer que o Facebook ou Instagram não são jornalismo e por isso não precisam de regras. Precisam sim! As próprias redes têm suas regras que primam pela veracidade de tudo o que é publicado. Até a fofoca tem suas limitações e a irresponsabilidade não pode fazer parte de um instrumento a favor da liberdade de expressão. Jornalismo é coisa séria! Mas, carteirinha de jornalista pode ser comprada por atacado na internet e qualquer um pode brincar de ser jornalista. Ainda bem que o STF já sinalizou que pode voltar a exigir o diploma de Jornalismo. Se Deus quiser! DemorÔ!


