sábado, 12 setembro, 2026
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A perda de empregos para a tecnologia chega logo à construção civil

Pode parecer exagero ou fantasia de defensores de avanços da tecnologia e criatividade do ser humano, mas segundo especialistas as atividades ou profissões de pedreiros e outros trabalhadores da construção civil tradicional, estão próximas da extinção ou abolição definitiva, no mundo inteiro. Os conhecidos operários das obras de construção serão substituídos em breve por máquinas inteligentes, onde apenas um equipamento substituirá cinco pedreiros e um ajudante em cada obra, usando cola no lugar de cimento e acelerando a construção e entrega de milhões de moradias e grandes pavilhões, em pouco tempo. O novo equipamento de prestação de serviços de alvenaria trabalhará a partir de projetos arquitetônicos digitais, posicionando blocos com sensores e usando espuma adesiva no lugar da argamassa tradicional. Apesar da produtividade atribuída ao sistema, a operação ainda exigirá profissionais para supervisão, abastecimento e tarefas manuais tradicionais, visando o melhor andamento e conclusão de serviços de engenharia e arquitetura.

O robô destinado ao assentamento de alvenaria chamado WLTR, apresentado na Inglaterra, automatizará até mesmo tarefas simples e repetitivas de obras de construção civil, como são conhecidas há milhares de anos, como trabalho de levantar paredes. Em demonstração registrada pela Reuters, o empresário inglês Jan Telensky afirmou que a máquina produz, em uma hora o equivalente ao trabalho de cinco pedreiros e um ajudante, em operações humanas, no mesmo período. A comparação de produtividade, no entanto, não significa canteiro de obras sem trabalhadores. A documentação técnica do WLTR informa que o sistema trabalha com operador e profissional de apoio, responsáveis pelo abastecimento de materiais e atividades que permanecem fora do alcance da máquina. Além disso, a Inteligência Artificial (IA) pode fazer um operário tradicional ganhar 30 mil dólares por mês ou mais apenas negociando ações, o que ressalta ainda mais a capacidade produtiva prática do novo equipamento.

A ficha técnica do WLTR registra produtividade média de 7,5 m² de alvenaria por hora, com pico de 10m² no período, e alcance de até 3,5 metros de altura. O equipamento segue modelo digital da parede, utilizando sensores para alinhamento e posicionamento final dos blocos, conforme o projeto original do sistema. Segundo informações dos responsáveis pelo projeto digital, a tolerância de variações de paredes chega a dois milímetros e o equipamento pode trabalhar sob diferentes condições climáticas e sem andaimes. O detalhamento do projeto foi feito na apresentação do WLTR em Londres, quando o desenvolvedor demonstrou o sistema assentando blocos em paredes de testes. Nestas obras, o robô automatiza o assentamento de tijolos, usando adesivos e podendo logo elevar a produtividade em obras e projetos habitacionais. Antes do assentamento, o robô utiliza referência a laser para localizar a parede e acompanhar o alinhamento. O braço mecânico retira peças do palete, aplica o material de união e repete o ciclo conforme o modelo digital definido para a estrutura. A automação de paredes diretamente no canteiro de obras já integra outros projetos de robótica da construção e o  WLTR utiliza blocos preparados para esse tipo de operação. Sensores permitem verificar as peças durante o processo, enquanto o mecanismo de captura depende de formatos compatíveis com o equipamento. Quando chega ao limite da área em construção, o WLTR pode se deslocar ao longo da parede por meio de sistema hidráulico integrado. Para outras movimentações dentro do mesmo pavimento, máquina e paletes são reposicionados como manuseio de cargas e materiais no espaço disponível da obra.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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