Hoje o Evangelho (Mt 16,13-20) coloca os discípulos na dinâmica do conhecimento profundo de Jesus e a sua missão: “E vós, quem dizeis que dizeis quem Eu sou”? Pergunta difícil, porém, essencial para os discípulos de Jesus, daquele tempo, e para nós hoje. É essencial que os cristãos são portadores da mensagem de Jesus e por isso o seguem. Somente Ele nos conduz ao Pai, fonte da vida eterna. Deste seguimento nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada ao redor de Pedro, “pedra sobre a qual construirei a minha Igreja”. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves, isto é, de interpretar as palavras de Jesus, adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e encaminhar todos os que aceitam Jesus como mestre e guia ao caminho da salvação.
No texto do Evangelho, Jesus e os discípulos se encontram em Cesareia de Filipe, região pagã e repleta de muitos templos e muitas religiões. Longe de suas casas e do contexto de suas vidas, os discípulos precisam responder se querem ou não ser introduzidos na dinâmica da fé. Eles devem aprofundar a primeira resposta que deram a Jesus quando foram chamados para segui-lo como pescadores de homens. A fé cresce e se fortalece nos desafios e confrontos da vida.
A fé é a resposta livre ao chamado de Deus. As perguntas que Cristo faz, as respostas que são dadas pelos Apóstolos, principalmente por Simão Pedro, constituem uma espécie de exame da maturidade da fé daqueles que vivem mais perto de Cristo. É a confissão de fé da comunidade que acredita que Jesus é o Salvador. Esta clareza é graça e dom de Deus, que exige capacidade de ver e reconhecer o Senhor e a humildade de identificá-lo: “Sou eu, não tenhais medo”. “E o reconheceram ao partir o pão”.
Pedro não entendeu tudo no princípio. Mesmo sendo um homem de pouca fé, Jesus confia nele e confirma a Igreja que nasce da fé de Pedro. Porém, a Igreja é, e permanece, a Igreja de Cristo, porque é Jesus Cristo a verdadeira rocha que fundamenta a vida da comunidade e ninguém poderá substituir a pedra angular. Pedro é pedra porque está ligado a Cristo, salvador e redentor da humanidade. A Igreja, comunidade de fiéis, participa do mistério de Cristo, e no mundo é guardiã e protetora do tesouro divino.
A comunidade dos discípulos é organizada e estruturada através de ministérios. Nela há pessoas que presidem e que desempenham o serviço da autoridade. Essa autoridade não é, no entanto, absoluta; mas é uma autoridade que se manifesta no amor e no serviço. Sobretudo, é uma autoridade que deve procurar discernir, em todos os tempos, a mensagem de Cristo.
Neste domingo do mês vocacional celebramos a vocação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, “sal da terra e luz do mundo”. É necessário que os leigos assumam com ardor a sua missão evangelizadora, a fim de humanizar e transformar as estruturas e as relações pela vivência e pelo testemunho do Evangelho em seus ambientes de convivência. São homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja. Ao celebrar o Dia dos Cristãos Leigos e Leigas queremos expressar nossa mais profunda gratidão, por tantos homens e mulheres que, vivendo sua fé, testemunham seu amor a Cristo e à Igreja, na dedicação de seu tempo a serviço dos demais irmãos em nossa Diocese.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo Diocesano de Toledo



