sábado, 15 agosto, 2026
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 Cuidar da saúde mental também é coisa de homem!

Homens são de Marte e mulheres são de Vênus. A famosa frase, título de livro, expressa que homens e mulheres são muito diferentes.

Sobre a saúde mental, os sinais de risco de fragilidade emocional praticamente são os mesmos para homens e mulheres, no entanto, as diferenças do papel e identidade masculina construído historicamente interferem drasticamente na forma com que os homens lidam com os desafios da vida.

Vários comportamentos de risco estão associados aos homens. Se envolvem mais em atividades perigosas, com drogas, velocidade no trânsito, agressividade, violência, etc. Também buscam menos por serviços na área de saúde, seja na medicina ou psicologia.

Durante muito tempo, muitos homens aprenderam que deveriam ser fortes, resistentes e capazes de enfrentar tudo sozinhos. Demonstrar medo, insegurança, ou mesmo solicitar ajuda, poderia ser interpretado como sinal de fraqueza. Esse modelo de masculinidade pode trazer consequências importantes para a saúde mental.

A Organização Mundial da Saúde estima que a depressão atinge cerca de 4,6% dos homens adultos no mundo e, para o Brasil, o Ministério da Saúde aponta a prevalência da depressão ao longo da vida de até 12% entre os homens.

Em relação à prevalência entre as mulheres, é maior, no entanto, precisamos considerar que os homens possuem maior dificuldade para reconhecer, verbalizar e buscar ajuda diante do sofrimento emocional. Tristeza, por exemplo, pode vir acompanhada de irritabilidade, isolamento, excesso de trabalho, alterações de sono, uso abusivo de álcool, comportamentos impulsivos ou perda de interesse pela vida.

O homem precisa falar sobre o que sente, compreender que mente e corpo não são separados e a saúde integral compreende o ser humano todo. Talvez uma das principais mudanças necessárias seja permitir solicitar ajuda, isso não diminui a masculinidade. Conversar com alguém de confiança, procurar um psicólogo, consultar um médico, participar de atividades físicas, cultivar as amizades e estar mais próximo dos familiares são atitudes de cuidado.

Não espere o sofrimento se tornar insuportável para buscar ajuda. Portanto, neste agosto azul, o convite é para que homem deixe de cuidar apenas do que dói e se cuide por inteiro.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.

 Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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