Hoje eu respondo
Me perguntaram nesta semana porque escrevo separando parágrafos com subtítulos. Boa pergunta! Simples: essa forma torna a leitura mais rápida e a deixa com um visual de crônica fragmentada em tópicos. Os subtítulos que dividem o texto são chamados tecnicamente na imprensa de intertítulos. Não é nada novo. Um exemplo é a coluna “Lanterna de Popa”, de Roberto Campos, publicada por muitos em O Globo e Folha de S.Paulo. Também o caderno B do jornal do Brasil trazia crônicas cotidianas e culturais divididas por intertítulos que mudavam o foco da narrativa a cada bloco de linhas. Eram assim colunas de Xico Sá e Luis Fernando Veríssimo em diversas fases de suas carreiras em jornais, como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Zero Hora.
Também no mundo
Vários jornais e revistas britânicas, como The Spectator, tradicionalmente publica crônicas divididas em parágrafos com intertítulos. A prestigiada revista norte-americana The New Yorker publica crônicas humorísticas e ensaios pessoais estruturados exatamente com parágrafos independentes encabeçados por subtítulos irônicos. Gosto muito desse tipo estrutural de texto. Ele ainda serve como incentivo para a leitura, ao contrário do que impacta o visual do “textão”. O leitor, sem querer, pensa: ah, vou ler só o primeiro parágrafo. Quando vê, leu o texto até o final. Cada título é um gancho para a continuação da leitura.
De saco pra mala
Mudando de assunto, constantemente ouço alguém reclamar que não consegue emprego, completando com elogios nada agradáveis à cidade, por não lhe oferecer colocação no mercado de trabalho. Normalmente o rosário de lástimas se faz com a reclamação de ter visitado inúmeras empresas, entregando centenas de currículos e apresentações para umas dezenas de vagas. Tem quem credita a culpa até em macumba feita. Mas o culpado maior é sempre a cidade, por não oferecer emprego.
Lá como cá
Esse quadro se repete em todo o Brasil, até mesmo e, com mais exemplos nas cidades grandes. É claro que as dificuldades existem, mas o maior problema não está na falta de emprego e sim na qualidade da mão de obra. Algumas pessoas insistem em achar que podem ocupar uma vaga pelo simples fato de concorrer a ela. Não se dão conta de que o mundo mudou e as mudanças não param de acontecer. Já se foi o tempo em que bastava saber pregar um botão para ser empregado na alfaiataria. Não era necessário saber usar um martelo para o primeiro emprego de marceneiro. O próprio trabalho, até remunerado, tratava de formar o profissional ao longo do tempo.
O outro lado
Enquanto o empregador exige experiência do funcionário que contrata, a velha pergunta está sempre pronta a emitir interrogação: “Como exigir experiência se não dão oportunidade de aprender?”. A resposta é simples. Hoje não há mais tempo para uma empresa ensinar funcionários; há muita gente e a concorrência de mercado não permite o luxo de se fazer escola enquanto se produz. Para o aprendizado há o professor e esse está em todos os cantos. Basta procurar as dezenas de cursos profissionalizantes que existem aos montes, inclusive de graça, através do estado em parceria com os municípios. São cursos de tudo o que se possa imaginar. De serviço doméstico a computação; de mecânico a auxiliar de enfermagem; de chapeiro de lanche a cabeleireiro ou operador de máquinas. Desde a formação básica até o mais alto grau de especialização há ensinos básicos que oferecem um mínimo de experiência para uma pessoa se apresentar a uma vaga de trabalho. O que não se admite mais é a procura por emprego sem um conhecimento necessário.
Beleza que põe mesa
Dia desses ouvi uma moça reclamando que não foi contratada por não ser bonita o suficiente para uma vaga de caixa de mercado. Com três perguntas simples descobri que ela não tem paciência para lidar com público, não sabe sequer ligar um computador e nunca fez cálculos numa calculadora. Por isso não passou no teste para o emprego que tanto busca. Como as empresas raramente informam os motivos de não escolher o candidato, somente os escolhidos sabem por que foram contratados. Capacidade, essa é a resposta.
Só não tem culpa eu
O genial professor Roberto Shinyashiki, um médico psiquiatra, palestrante e autor de 13 livros, como ‘Os Segredos dos Campeões’ e ‘O Sucesso é Ser Feliz’, afirma: “Muitas pessoas gastam tempo e energia para jogar a culpa de seus insucessos naqueles que as rodeiam, nas situações e circunstâncias periféricas e, não admitem a realidade. Vivem num mundo ilusório, com pensamentos amargos e estratégias equivocadas que nunca resolverão seus problemas. Podem até convencer os outros de que o mundo é muito cruel e injusto, mas nunca construirão uma vitória”. Eu completo com uma frase mais simples: muitas pessoas jogam a culpa nos outros pelas habilidades e conhecimentos que não possuem.
Até a próxima semana, em novos intertítulos!

