Simão Pedro perguntou a Jesus:
— Senhor, para onde é que o senhor vai? Jesus respondeu:
— Você não pode ir agora para onde eu vou. Um dia você poderá me seguir!
Pedro tornou a perguntar:
— Senhor, por que eu não posso segui-lo agora? Eu estou pronto para morrer pelo senhor!
— Está mesmo? Perguntou Jesus.
— Pois eu afirmo a você que isto é verdade: antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece. Evangelho de São João 13:36-37
As perguntas são mais importantes do que as respostas
Para Voltaire, “um homem deve ser julgado mais pelas suas perguntas do que por suas respostas”. Para Drucker, “o trabalho mais importante e mais difícil não é encontrar a resposta correta, mas fazer a pergunta certa”. Hal Gregersen, professor do Insead explica que as “perguntas são as chaves que abrem portas em nossas vidas e trabalho. O desafio é encontrar a chave certa para a porta correta”.
A Professora Maria Nunes em seu livro Coordenadas – Valores para uma nova consciência afirma que uma das grandes fontes de evolução da humanidade reside na capacidade que o ser humano tem de colocar em dúvida aquilo que sente, vê, toca. Pedagogicamente, a dúvida tem seu valor. Aceitar a transmissão de conhecimentos passivamente não conduz ao desenvolvimento do senso crítico. O aluno precisa lidar com a dúvida, sem perder, entretanto, o referencial de confiança em si e no educador.
A vida tem um dinamismo que se expressa a cada instante. A cada instante somos surpreendidos com fatos novos, tanto no âmbito de nossa vida pessoal como no social e, mais abrangente, no universo.
Conviver com a dúvida é um aprendizado constante. A dúvida, neste caso, não é irmã gêmea de insegurança, de caos. É um estado de prontidão, de alerta para observar a cada momento como se posicionar frente a cada situação. Não existem duas situações idênticas, por mais simples que sejam, pois tudo está em permanente dinamismo.
A dúvida acarreta sofrimento quando está ligada ao sentimento de perda, de apego, de posse. No momento em que o ser humano compreender e souber lidar com o passageiro, o transitório, o fluir da existência, estará mais de acordo com a sua própria natureza humana, essencialmente dinâmica, desde o movimento das células do corpo até a rapidez de nosso pensamento.
Entender a dúvida como processo pedagógico é terapêutico na medida em que provoca mudança de estrutura na pessoa que aprende a com ela conviver. O educador que convive com a dúvida possibilita maior riqueza para os seus alunos e para si. Tudo passa a ser válido na medida em que houver respeito fundamentado na confiança recíproca.
* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
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