sábado, 23 maio, 2026
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Vazio solitário isolamento social

Do lado de fora, olhando para dentro. Os pesquisadores da neurociência, estudam a solidão já há alguns anos. Eles a definem como o “isolamento social percebido” que é o ato de um indivíduo se isolar do convívio em sociedade por fatores pessoais ou de força maior, ou ainda, de forma voluntária, se afasta do grupo por diversas razões. Assim, desde sintomas como depressão, causas mal resolvidas que ainda o incomoda, ou sentimento de não identificação com o meio, como grupo ou pessoas.

Experimentamos a solidão quando nos sentimos desconectados de quase tudo e de todos. A solidão se manifesta em momentos em que nos sentimos perdidos, ou sem nenhum suporte na vida. Às vezes essa sensação de desamparo, provem da pessoa não se encaixar em um determinado meio de pessoas. Ou ela tenha sido repelida da turma que tanto valorizava, ou quem sabe, ainda não tenha a noção de verdadeiro pertencimento, que é aquela percepção de alguém de ser parte de uma comunidade de amigos ou povão, incluindo a família.

No âmago da solidão, reside a ausência de interação social significativa, um relacionamento íntimo, amizades, reuniões de família, trabalho ou mesmo laços com o conjunto de habitantes do mesmo local, vizinhos etc. E há de se observar que tem sido alvo crescente desse isolamento, onde a comunhão, o convívio, em estar presente, tende a diminuir cada vez mais.

Muitas pessoas como idosos, e mesmo um vasto número de adolescentes, buscam esse escape na rede social que, de uma forma ou de outra, tem preenchido esse vazio. Muitas pessoas, vivem esse dilema, onde a própria sociedade ou segmentos que o acolhem, tem tido dificuldade de lidar com tal situação, mesmo especialistas no assunto.

É importante observar que ‘solidão’, e estar ‘sozinho’, são coisas bem diferentes. Estar ‘sozinho’ ou habitar a solitude; é gostar de você mesmo. O filósofo Paul Tilich, ensina que é neste momento que a mente da pessoa se tranquiliza, e ela consegue entrar em contato com sua essência de maneira introspectiva. Sendo a solitude um estado temporário, voluntário e positivo para aquele que pratica de forma consciente. A ‘solidão’, no entanto, é involuntária, negativa e que tende a ser mais duradoura, podendo se tornar crônica, necessitando de ajuda e tratamento. Entende-se que inúmeras pessoas hoje vivem esse vazio solitário, uma inconveniência que vem envolvendo a sociedade como um todo. Uma eiva que não é bem uma doença, mas tornou-se duradoura e permanente.

Em todos os meios de convivência, as pessoas ao redor podem muito ajudar. Seja nos grupos como associações, escolas, igrejas e trabalho, devem estar atentas ao ver alguém vivendo esse vazio solitário e doloroso, a maioria sem saber que direção tomar, seus propósitos mudaram diante da nova realidade. Você pode ajudá-las a superar a solidão, através da empatia, do amor ao próximo. Todos nós, em algum momento, precisamos de ajuda, se você tem alguém próximo, seja você um ajudador.

Roberto Cosme dos Santos é sociólogo e teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, terapeuta e palestrante.

contatorobertosantos@outlook.com

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