No dia 25 de maio, é celebrado no Brasil o Dia Nacional da Adoção, uma data que nos convida a refletir sobre o tema família e sua multiplicidade. A adoção ultrapassa as barreiras jurídicas e sinaliza o afeto, cuidado e proteção que é possível os adultos destinarem a crianças e adolescentes que esperam pela oportunidade de ter um lar onde podem chamar de seu e pessoas que podem ser seus pais. Afinal, as figuras de pai e mãe continuam sendo os vínculos primários mais significativos para o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes.
A escolha pela adoção pode surgir por diferentes motivações. Para algumas famílias, após limitações relacionadas à infertilidade, para outras, nasce do desejo consciente de ser família ou expandir a família, com a vinda de novos filhos.
Há um mito de que a adoção é um ato de caridade, ao contrário, é um ato que envolve afeto, responsabilidade, sendo uma forma efetiva de constituição familiar. O filho adotivo não é diferente dos outros, é filho em todos os sentidos, afetivos e legais.
Outros mitos estão relacionados à própria convivência com o filho adotivo. Por vezes, os pais imaginam que o filho adotivo será sempre extremamente grato, amável ou emocionalmente perfeito. Essa expectativa pode gerar frustrações e dificuldades na convivência familiar. Crianças e adolescentes adotados são seres humanos em desenvolvimento, com qualidades, limitações, medos, traumas e necessidades emocionais, assim como qualquer outra criança. Muitos carregam histórias marcadas por abandono, negligência, violência ou rupturas afetivas, experiências que podem impactar sua forma de se relacionar com o mundo. Por isso, o amor, sozinho, embora essencial, nem sempre basta. É necessário acolhimento, escuta e muita paciência. Em alguns momentos, é importante buscar a rede de apoio familiar ou mesmo ajuda profissional.
Muitas crianças e adolescentes estão em instituições de acolhimento aguardando a oportunidade de terem um lar e uma família. Grande parte das crianças apresenta mais de dez anos de idade. Essa realidade é rodeada de preconceito e a preferência por bebês é maciça. Quando há disponibilidade em compreender a história da criança, nasce a oportunidade da construção do afeto, mostrando que ocorre em qualquer fase da vida e que nunca é tarde para viver o sentimento de família.
Durante minha jornada profissional, tive a oportunidade de acompanhar crianças e adolescentes em instituição de acolhimento. A realidade que se repetia era a de crianças, por vezes, grupos de irmãos, retirados de suas famílias em virtude de graves situações de violação de direitos. Histórias marcadas por negligência severa, violência física, abuso psicológico, abandono e outras formas de sofrimento. Em muitos casos, após inúmeras tentativas de reintegração familiar e intervenções da rede de proteção, a destituição do poder familiar e o encaminhamento para adoção mostraram-se como as medidas mais seguras e protetivas.
A adoção é uma escolha pensada, consciente e, unida ao afeto e responsabilidade, sem dúvidas, transforma vidas!
Silvana Pedro é psicóloga e Mestre em Promoção da Saúde.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.



