A resiliência e a perseverança, pilares da força interior, foram consideradas, por décadas, as forças mentais mais desejáveis e construtivas para o equilíbrio emocional. No entanto, vem ganhando evidência e proporção a habilidade em lidar com incertezas.
Incertezas podem surgir em vários contextos, em situações de perda, em casos de dúvidas ou falta de respostas, em decisões sem respostas. Poucos conseguem lidar positivamente diante dessas circunstâncias. Para o cérebro, é melhor uma explicação qualquer ou mesmo errônea do que nenhuma explicação.
A incerteza, há décadas atrás, era encarada como algo que faz parte da vida, no contexto atual, é constantemente evitada. Pessoas com alta intolerância à incerteza costumam usar o celular como forma de alívio emocional imediato.
As redes sociais são usadas para evitar o desconforto. Um clique, um rolar de dedos na tela do celular ou similar, alguns vídeos e pronto, são suficientes para trazer uma nova sensação, porém momentânea. Aos poucos, outros sinais negativos vão sendo agregados, dentre eles o aumento da comparação, ansiedade e dependência de estímulos.
Outro meio também usado como alívio é a busca por explicações precipitadas, com conclusões negativas sem evidências concretas, reagindo ao medo como se fosse realidade. O cérebro humano tende a buscar sentido para reduzir a ansiedade. “Ele não respondeu porque não gosta de mim” ou “se ainda não consegui, é porque não sou capaz” são exemplos de respostas automáticas usadas pelas pessoas para preencher as lacunas quando não existem informações suficientes.
Também ocorre a terceirização emocional, em que o indivíduo transfere para os outros a responsabilidade de regular suas emoções, tomar decisões ou oferecer segurança constante. Existe a dificuldade de confiar em si mesmo, e a validação das outras pessoas traz a sensação de tranquilidade. Sabe aquela pessoa que pede opinião sobre tudo?
Por outro lado, existem formas mais saudáveis de enfrentar as incertezas. Entre elas estão desenvolver tolerância ao desconforto emocional, aprender a diferenciar fatos de interpretações, fortalecer a autonomia emocional e reduzir o excesso de estímulos das redes sociais.
Algo essencial é compreender que nem tudo pode ser controlado. Isso ajuda a diminuir a ansiedade e aumentar a resiliência. Quando o sofrimento se torna intenso, o acompanhamento psicológico pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias emocionais mais saudáveis e equilibradas.
Silvana Pedro é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

