Capítulo I
O túnel é fake?
Publiquei nesta semana, na página do Facebook, @facebook.com/Moradaamiga, uma foto da torre de entrada do túnel abandonado nas margens do Rio Alívio. Várias pessoas comentaram que não sabiam da existência daquelas ruínas. Houve até quem duvidou, comentando: “moro aqui desde que nasci e nunca ouvi falar disso”. É verdade, pouca gente conhece o que sobrou do que seria uma fábrica de papel que veio se instalar em Assis Chateaubriand no início dos anos 70. Até mesmo a longa história da existência da indústria é pouco conhecida da população.
Esqueceram de mim
Nas margens do Rio Alívio, a cerca de três mil metros do centro da cidade, repousa um monumento ao abandono: um túnel de 100 metros de comprimento, erguido em concreto armado. Está lá, esquecido, há 48 anos em meio à mata, coberto pela vegetação. Do outro lado do rio, descansa solitário um paredão, também de concreto, com aproximadamente 60 metros de comprimento. Se as obras chegassem ao término, o muro seria a barragem de um grande lago que abasteceria uma fábrica de celulose para a fabricação de papel e o túnel seria a base das máquinas, do que poderia ser uma grande indústria. Fala-se também que as águas da represa que seria formada no local poderiam funcionar uma usina hidrelétrica.
Desperdício
Não é preciso ser engenheiro ou pedreiro para imaginar a grande quantidade de cimento, pedra, areia e ferro, usados no que hoje são só ruínas. As paredes do túnel e do paredão medem 42 centímetros de espessura, laterais e teto. A altura mede 2 metros e meio, mesma medida da largura. Há também concreto no piso, em toda a extensão. Os ferros, de grandes bitolas, estão trançados por toda a construção, que ultrapassa a 900 metros quadrados de alvenaria bem feita. Em uma das extremidades, o túnel possui uma elevação que lembra uma enorme caixa d’água, acompanhada de duas torres, também de concreto. É possível andar no teto, onde a vegetação se mistura com o piso de cimento. Já serviu, e ainda serve, de moradia para algumas famílias, mendigos, encontro de casais, uso de drogas, esconderijo, diversão de motoqueiro e abrigo de animais.
Testemunhas
O pioneiro Massachiro Mori, que foi vereador e presidente da Câmara de Assis Chateaubriand por três legislaturas, me contou certa vez que o município fez a doação, com aprovação da Câmara, de dois terrenos, que juntos somavam sete alqueires, para a construção da fábrica de papel nas margens do Rio Alívio, na estrada para o Carajá, há três quilômetros do centro da cidade. Disse ainda que a fábrica chegou a produzir algumas bobinas de celulose e logo depois fechou e foi abandonada. Essa informação me foi confirmada pelo pioneiro Santo Trovo, um dos primeiros funcionários da Colonizadora Norte do Paraná, nos anos 60. Ambos já faleceram. Em verdade, a fábrica funcionou por sete anos (1970 – 1977) e chegou a produzir papelão para caixas de sapatos das indústrias de Franca SP, empregando cerca de 2.000 funcionários (isso mesmo, dois mil funcionários!).
Tchau e bênção
O prefeito da época, quando do início da obra, era Rudy Alvarez. Em uma longa entrevista, Rudy me afirmou que foi até Santa Catarina convidar um empresário para montar uma fábrica de papel em Assis, a fim de aproveitar o manancial do Rio Alívio. Ofereceu o local e energia elétrica da usina municipal, que o próprio Rudy havia construído. Segundo Rudy, os homens vieram e começaram a fábrica, mas largaram tudo e foram embora porque não tiveram apoio do outro prefeito, que seria o Koite Dodo.
Vai continuar
O final da história, com a explicação do Koite, vou contar aqui nesta coluna na semana que vem. Se quiser saber antes, vá ao meu site e leia a história completa (tem que digitar o www): www.clovisdealmeida.com.br.

