quinta-feira, 30 abril, 2026

Por Clóvis de almeida

Metamorfose de gente

Hoje quero lhe falar sobre o homem e seu carro. O ser humano costuma ter duas identidades depois que aprende a dirigir um veículo motorizado. Não se trata do documento de cidadão, mas do modo como ele demonstra os seus procedimentos sociais no meio em que vive. Pode até ser explicável pelos analistas de plantão, mas não é possível aceitar como alguns indivíduos incorporam um outro personagem no momento em que colocam o traseiro no acento de um carro. Com o veículo em marcha, parecem verdadeiros guerreiros numa frente de batalha, onde qualquer um que estiver pela frente será considerado inimigo. Pode parecer exagero, mas não é.

Falta de educação

O carro funciona como uma espécie de amplificador da personalidade. Dentro dele, algumas pessoas se tornam mais impacientes, mais competitivas e menos empáticas. Coitado de quem cruza com um veículo dirigido por alguém possuído pela alma do “dono da rua”. O camarada pensa que, só porque está no volante, pode tudo e comanda a todos. Se fosse só a falta de respeito nas vias preferenciais, nas faixas ou faróis, uma boa multa e uns trinta dias de aulas forçadas poderiam resolver o problema, mas, é mesmo uma questão de formação moral e cultural.

Sai da frente!

Pare perto de um local com faixas de pedestres e fique observando o comportamento dos motoristas que passam dirigindo pelo local. Você verá que é maior do que imagina o número de gente que não sabe para que servem aquelas listras e a faixa de distância. Uns não sabem, outros fingem não saber. Tem alguns que ainda gritam para o pedestre na faixa: Sai da frente, panaca! É com esse pensamento que um bom número de “motoristas” trafega todos os dias pelas nossas ruas, como se o carro da frente ou o pedestre que atravessa fosse uma coisa qualquer, atravancando o caminho. É por isso que existem tantos quebra-molas Brasil afora. E não poderia ser diferente. Enquanto existir a desconsideração pelo próximo no trânsito vai haver obstáculos na pista e os bons vão continuar pagando pelos irresponsáveis.

Problema antigo

E o ciclista? Um velho problema de muitas cidades, onde ciclistas rodam nas calçadas de pedestres, colocando em risco a vida das pessoas, crianças, velhos, grávidas ou doentes que andam devagar, sem agilidade para desviar do guidão de um ciclista analfabeto e mal educado. Toda hora tem alguém gritando palavrões contra um ciclista que passa esfregando a bicicleta em pedestres nas calçadas.

Vítima tem culpa?

E o pedestre? Muita gente ainda não aprendeu a atravessar uma rua e entra na pista de rolagem, sem observar se há segurança. Não dá para entender os motivos que levam pessoas a transitar no meio da rua, quando há calçadas amplas e desimpedidas. Também é inconcebível o ato de estacionar veículos em calçadas. É muito comum observar carros atravessando toda a passagem do pedestre, obrigando pessoas a desviarem para a pista. A calçada é um direito de todos e não apenas do cidadão cuja propriedade está em frente. Um deslize ou outro é inegável e todo mundo comete, porém, julgar-se o dono das ruas, ou das calçadas, é uma questão que merece um estudo mais profundo. Talvez, coisa para psicólogos ou psiquiatras.

Pode piorar?

Há quem diga que o afrouxamento na obrigatoriedade de aulas nas auto escolas pode piorar a educação no trânsito brasileiro. Mas, esse não deve ser um problema para o tema, porque nos EUA, Europa e Japão, por exemplos, há mais burocracias, mas o rigor nas aulas sobre educação para o trânsito não é maior que no Brasil. O problema por aqui chama-se ‘berço’, ninho onde ocorre a formação de personalidades. A escola molda valores, moral e ética através do convívio social, mas, moldar não é o mesmo que criar e, todos sabemos que ‘pau que nasce torto, morre torto’.

Enquanto isso…

O município de Assis busca a modernização da mobilidade urbana com a implantação do sistema binário na região central da cidade. Para isso, a Prefeitura já organiza a fase de estudos técnicos e levantamentos finais com medições e análises detalhadas da sinalização horizontal e vertical em todas as ruas e avenidas do eixo central. O objetivo é viabilizar um novo sistema viário, que deve organizar ruas paralelas com sentidos opostos de circulação. Ou seja, ruas semelhantes à Rua Progresso que flui em um só sentido. No popular: mão e contramão.

Mais espaço e cobrança

Outro objetivo na modernização será uma readequação dos estacionamentos do Centro, que hoje já está bem complicadinho, devido ao aumento de veículos na área. Orientação e fiscalização do tráfego também estão na mira do projeto.

Tomara que consigam resolver ainda o problema de bicicletas e outros bichos de duas rodas nas calçadas. Essa falta de respeito só vai acabar no dia em que ocorrer abordagem e apreensão dos veículos, que só poderão ser retirados com apresentação de nota fiscal. Tem gente que só entende a língua do puxão de orelha que mexe no bolso.

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