quinta-feira, 30 abril, 2026

O Almanaque de todo dia

O fim de cada ano dos meus tempos de menino tinha no roteiro uma ‘via sacra’ às farmácias em busca dos aguardados almanaques. No começo era a pedido de minha mãe, mas depois se tornou hábito anual. Não precisava nem lembrar.

Assim como eu, acho que muita gente procurava aqueles livretinhos que eram distribuídos de graça e traziam tanta coisa interessante. Previsão do tempo, horóscopo, piadinhas, conselhos, coisas da agricultura e uma enormidade de curiosidades, sem contar o calendário do ano que viria a seguir.

Nos muitos anos em que essas publicações eram famosas, foram vários os títulos. Sadol, Capivarol, Bayer, Fontoura e uma dezena de outros.

Eu gostava mesmo era do Jeca Tatu, um personagem do Almanaque Biotônico Fontoura. Criado por Monteiro Lobato, ele ensinava que não devíamos andar descalço para não pegar bicho de pé, amarelão, lombriga e nem barriga d’água. Mas eu gostava de ‘pegar’ um bicho-de-pé só por causa da coceirinha e o prazer de tirá-lo depois de ter virado uma “batata” com olho.

Uma das informações mais concorridas daquelas revistinhas eram as previsões do tempo e os plantios descritos a cada mês do ano, para as diversas regiões do Brasil.

As curiosidades e dicas de comportamento ensinavam muita coisa. Foi num desses almanaques que fiquei sabendo que na época do descobrimento do Brasil as telhas eram feitas de barro e o molde era as coxas dos escravos. Alguns tinham a coxa fina, outros mais grossa, assim o telhado ficava disforme. Daí que surgiu a expressão “fazer nas coxas”. Alguém pode até dizer que isso é cultura inútil, mas o conceito do que é utilidade ou não é subjetivo.

Atualmente, laboratórios como a Catarinense Pharma, por exemplo, ainda produzem e distribuem o “Almanaque Sadol”, muitas vezes utilizado como material promocional que possibilita até prêmios aos consumidores e algumas farmácias disponibilizam como brindes aos seus clientes.

Tive acesso a um desses em dezembro passado. Não mudou nada, continua no mesmo formato, com o mesmo tipo de conteúdo. A diferença é que não há mais a procura que existia no passado, pois os tempos são outros, além da informação ser priorizada no celular através da internet, as pessoas estão perdendo o hábito da leitura, cada dia mais. Se tiver mais que duas linhas já chamam de textão e isso é o suficiente para não ser lido.

Segundo o IBGE, o hábito da leitura no Brasil está em declínio, com 53% da população considerada “não leitora” (não leram nem parte de um livro nos últimos 3 meses), superando o número de leitores pela primeira vez. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura (2024) indica perda de 6,7 milhões de leitores em quatro anos, com uma média de apenas 3,96 livros lidos por ano.

Se você chegou até aqui é porque gosta de ler. Mas você também lê livros? Quantos livros você leu no ano passado?

A baixa leitura não é só por aqui não. Uma queda vertiginosa no número de leitores está atingindo diversas partes do planeta e a tendência é preocupante. De acordo com um estudo da Universidade da Flórida e do University College London, da Inglaterra, a quantidade de pessoas nos Estados Unidos que mantêm o hábito da leitura por prazer caiu mais de 40% nos últimos 20 anos.

Vários motivos levam as pessoas a deixarem de ler e uma das principais razões é a falta de tempo. Tudo anda mesmo corrido e as pessoas, a maioria, prioriza correr atrás do dinheiro, buscando formas de se ajustar financeiramente num mundo que está cada vez mais concorrido. Entendo isso e respeito.

Mas, com tempo ou sem tempo, convido você a ler meu livro “Assis Chateaubriand – Uma Viagem na História”. É na verdade uma reedição revisada e reescrita, com a adição de dezenas de novas histórias e mais fotos. Um olhar para a colonização do município, mesclada com a minha trajetória, desde 1964.

Trata-se de uma coletânea com mais de 100 crônicas que escrevi ao longo de 40 anos, onde narro minha infância, adolescência e períodos já como jornalista. Foram escolhidas porque em todas elas há o encontro da minha história com a história do município de Assis Chateaubriand no período considerado colonial, onde muitas pessoas poderão se enxergar no contexto da narrativa, pois foram momentos vividos em comum para muita gente. Minha história pode ser também a sua.

As narrativas se fazem presentes de forma independente, embora, juntas, formam a grande história que venho juntando há 60 anos. Na verdade, utilizo a minha história para contar a história da cidade. Espero que leia, espero que goste. É uma edição de 156 páginas em e-book (PDF) que você encontra na Hotmart. No site ou aplicativo, procure por Clóvis de Almeida Godoy. Lá há ainda meu outro livro “Locutor Aprendiz – Segredos que nunca lhe contaram”.

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