quinta-feira, 30 abril, 2026

A pandemia da cobiça

            Há uma frase que diz: “Vida só temos uma – como vivê-la? Esta é a questão. Para viver precisa-se ter objetivos e estes são diferentes de pessoa para pessoa.

            Uns vivem para explorar e lograr os outros. Vivem do suor dos outros a quem pagam um salário indigno. Procuram manter-se no poder a qualquer preço. Está aí o primeiro mundo, os ricos, explorando (o terceiro mundo), os pobres, através das multinacionais e do seu poder econômico (bancos). Nos vendem o seu peixe não se importando pela vida e saúde do povo. O povo é apenas um detalhe, como alguém o afirmou no programa: A escolinha do professor Raimundo, pela TV. Exemplo disto são os pesticidas, a poluição do ar, da água e dos alimentos.

            Outros vivem para trabalhar, para acumular riquezas. Se esquecem que Deus colocou o homem no Jardim do Éden para o cultivar e guardar.

            Outros ainda vivem para as aparências. Querem formar uma determinada imagem para o povo. Querem que o povo os admire por isso ou vivem dessa forma, porque o povo espera deles que assim vivam. Isto acontece com homens públicos e, principalmente, com a mulher. As tradições e os bons costumes prescrevem o que ela pode e não pode fazer, em como deve viver e se comportar. O resultado disso são “caras” amarradas, reprimidas só para conservar a imagem, que dela se espera. Na verdade ela gostaria de ser diferente, liberta e não o é. Por que tudo é assim?

            Vivemos num mundo recheado e coberto de egoísmo, de acúmulo de bens nas mãos de poucos. A roda viva nos transforma em marionetes nas mãos daqueles que detêm o poder em todos os níveis. Somos cada vez mais moldados para sermos individualistas. Algumas coisas fogem ao que é determinado por aqueles que querem nos moldar: a solidariedade, o sentimento de justiça ardente e a esperança de um mundo novo brotam no coração de muitas mulheres e homens.

            O pensador SNECA, CARTAS MORAIS, 75.11 afirmou que – “As doenças da alma racional são vícios duradouros e empedernidos, como a cobiça e a ambição. Elas puseram a alma em uma camisa de força e se firmaram como males permanentes dentro dela. Em resumo, a doença é uma implacável distorção do julgamento, fazendo com que coisas não tão desejáveis assim sejam perseguidas com vigor.

            No desastre financeiro do fim dos anos 2000, centenas de pessoas inteligentes e racionais perderam trilhões de dólares. Como indivíduos tão inteligentes puderam ser tão insensatos? Eles conheciam o sistema, sabiam como os mercados deviam operar e tinham controlado bilhões, se não trilhões, de dólares. No entanto, quase unanimemente, estavam errados — e em uma escala que devastaria o mercado global.

            Não é difícil olhar para essa situação e entender que a cobiça foi uma parte do problema. Foi a cobiça que levou as pessoas a criar mercados complexos que ninguém compreendia, na esperança de ganhar dinheiro rapidamente. A cobiça levou outros a fazer negócios com estranhos financiamentos de dívidas.

            A cobiça impediu que alguém chamasse essa situação pelo que era: um castelo de cartas esperando apenas que a mais leve brisa o derrubasse. Esta reflexão tem como objetivo nos levar a perceber como a cobiça e os vícios podem estar causando um efeito semelhante em sua vida e na vida de centenas de pessoas. Quais deturpações nossos vícios podem estar provocando em nossos julgamentos? Que “doença” podemos ter? E como sua mente racional pode intervir para ajustá-los?

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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