A morte é vista como tabu. As pessoas não gostam de ouvir ou de falar sobre o assunto. No centro disso, uma morte voluntária é vista como um grande problema, interpretada muitas vezes como um fracasso do indivíduo. Esta semana mesmo fomos impactados com a morte por suicídio de um chateaubriandense.
O suicídio é um fenômeno complexo que pode afetar indivíduos de diferentes idades, classes sociais ou origens. A parte boa é que geralmente pode ser prevenido, dessa forma, reconhecer os sinais de alerta em si ou nas pessoas próximas é extremamente importante.
Na maioria dos casos, o suicídio é um marcador de sofrimento psíquico ou de transtornos psiquiátricos. Esses podem ser independentes ou estar correlacionados. Dentre os transtornos mentais, os mais prevalentes são a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. Para esses casos, o acompanhamento psiquiátrico e psicológico é fundamental e indispensável.
Inúmeros sinais estão relacionados ao comportamento suicida. Precisamos ficar atentos a questões como o aumento no número de vezes em que a pessoa se refere à própria morte, à falta de esperança ou à intenção de dar fim à situação que está vivendo.
Isolamento voluntário, com a redução de contatos telefônicos ou virtuais, ou mesmo o simples ato de se trancar em casa ou no quarto, também deve servir de alarme para quem está ao redor, especialmente quando a pessoa passa a renunciar a atividades e eventos sociais que gostava de fazer ou frequentar. Frases como “eu preferia estar morto”, “eu não aguento mais” ou “eu sou um peso para os outros” devem ser encaradas como alarmes que exigem ações urgentes.
É preciso também se atentar para possibilidades de organização e despedidas, como a pessoa deixar bilhetes, realizar ligações telefônicas incomuns, se despedindo como se fosse a última vez ou dando recados como “cuide dos nossos filhos”.
Caso sejam identificados sinais como estes, podemos, de forma genuinamente respeitosa, fazer algumas perguntas específicas que podem ajudar a entender as intenções da pessoa, a mais simples delas é perguntar: “Você já desejou que estivesse morto ou que pudesse dormir e não acordar mais?”. Muitas pessoas com ideias de suicídio se sentem aliviadas por poder dividir sua angústia e ao se sentirem compreendidas.
É importante conversar e, especialmente, ouvir, sem julgar o que a outra pessoa tem a dizer, incentivando que busque ajuda profissional. Informe os familiares mais próximos. Mesmo que a outra pessoa tente se isolar, procure ao máximo manter o contato, demonstre interesse em sua vida e no que ela esteja fazendo.
Pode ser insuportável superar o sofrimento, mas há sempre ajuda disponível. Podemos ser a ajuda necessária a alguém que está carregando estes pensamentos tão destrutivos.
| Silvana Pedro Pinto é psicóloga clínica e educacional. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini. |



