Restaurante para animais
Achei boa a indicação do verador Matheus Marques para que o Poder público instale bebedouros e comedouros para cães e gatos abandonados, em praças e parques públicos. Tem muita gente que já faz isso em frente à suas casas, alguns até com casinhas. Só que eles cuidam, suprindo de comida, água e mantendo limpos. O serviço público terá que se responsabilizar por essa manutenção nas praças, mas para funcionar será necessário o enganjamento da população e do comércio, não só no abastecimento, mas nos cuidados de higiene. Se todos darem atenção vai funcionar, caso contrário pode virar criadouro de mosquitos e dezenas de outros problemas. Pelo menos é a conclusão de alguns municípios que já implantaram essa ideia. Parabéns ao Matheus!
Controle de natalidade
De todas as medidas para resolver ou minimizar os problemas com animais abandonados, o que mais dá certo, conforme já se viu em muitos municípios, é o controle de natalidade com a castração de cães e gatos. O investimento em abrigos que retiram os animais das ruas e lhes asseguram proteção até serem adotados garantem ainda mais sossego para a população e atenção e carinho aos bichos.
Amor sem nada em troca
Quando se fala em atenção a bichos é preciso destacar e enaltecer a dedicação das muitas pessoas que dedicam grande parte de seu tempo aos cuidados com animais de rua. Eles recolhem, dão banho, remédios e comida. Muitos desses bichos acabam ficando por não encontrarem outra pessoa que os queiram. Assim, a população de bichos vai aumentando. Tem gente que já conta com cinco, dez, 20 ou até mais cães e gatos, bancando alimentação e saúde. E fazem tudo isso por amor, porque a maioria não conta com ajuda de ninguém e dividem o pouco que tem com os bichos.
São doidos?
Há quem chama essas pessoas de malucos, doidos, doentes e outros adjetivos. Quando alguém dedica tempo, afeto e até os próprios recursos para cuidar de animais abandonados, o que está fazendo, na essência, é preencher um espaço que a sociedade muitas vezes ignora. Não se trata de “maluquice” nem de “doença”, mas de empatia, um sentimento cada vez mais raro em tempos de tanta indiferença. Essas pessoas, chamadas por alguns de “doidas”, são justamente aquelas que agem quando muitos viram o rosto. São elas que recolhem os que foram descartados, alimentam os que passam fome, tratam os que adoecem nas ruas. Elas não se escondem atrás de críticas ou ironias, ao contrário, enfrentam o problema de frente, com as ferramentas que têm: amor, coragem e compaixão.
É fácil julgar da calçada limpa, do sofá confortável ou da tela do celular. Difícil mesmo é dividir o pouco que se tem, sem esperar aplauso ou recompensa.
Aplausos a quem merece
Mais do que aplausos e reconhecimento, as pessoas que se dedicam a cuidar dos animais de ruas com seus próprio meios precisam de ajuda. E aqui é também preciso agradecer e aplaudir a atenção que a Prefeitura Municipal e alguns vereadores, como o Matheus, têm dado ao assunto nos últimos anos. A Prefeitura vem contribuindo muito, gratuitamente, com a castração de animais e até no tratamento de bichos doentes. Isso é louvável.
50 anos fingindo não ver
É preciso lembrar que a Prefeitura e Câmara de vereadores passaram 50 anos sem se preocupar com um tratamento digno aos animais abandonados. Entraram e saíram prefeitos e vereadores que pouco ou nada fizeram nessa área. Por isso eu cumprimento o prefeito Marcel por iniciar e dar continuidade nessa atenção aos bichos de rua, desde o mandato passado. Por esse serviço o ex-prefeito Valtinho também merece aplausos.
Falta de sensibilidade
Certa feita, sugeri a um vereador que fizesse um projeto para retirar os animais das ruas, dando a eles um abrigo e cuidados, pois havia muitos cães soltos e já estava ficando perigoso. Ele respondeu que tinha mais é que cuidar de crianças, os animais era problema fácil de resolver: só dar “bolinha”, que era como se chamava o veneno que distribuiam nas ruas, sempre no mês de julho, porque diziam que agosto era o “mês do cachorro louco”.
O Universo não perdoa
Houve um tempo em que muitas prefeituras cuidavam do problema de animais nas ruas distribuido “bolinhas” na calada da noite. No outro dia, as ruas amanheciam com bichos mortos por todo lado lado. Eram cães e gatos envenenados, muitos deles ainda agonizantes, esperando um tiro de misericórdia. Coitados desses miseráveis que fazem esse e outros tipos de crueldade! Fechar os olhos, fingir que não vê ou se negar a fazer alguma coisa, quando se tem poder para isso, também é crueldade. O Universo não perdoa e devolve tudo com juros e correção monetária tudo aquilo fazemos por aqui, mais cedo ou mais tarde.


