quinta-feira, 7 maio, 2026

Por que a esperança é uma semente?

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida”. Provérbios 13.12.

Como é profunda a sabedoria desse provérbio! Esperanças que tardam e que talvez nunca se realizam, nos deixam frustrados e desvitalizados e são uma porta de entrada para a “doença”. A maioria das doenças não nasce de repente, mas é preparada por anos em nosso corpo, devagarinho, por erros alimentares, excessos ou carências, estresse, conflitos e aborrecimentos, que lentamente enfraquecem a nossa energia de vida. E é impossível compreender a doença apenas pelo sinto­ma aparente, sem pesquisar causas antigas na vida pregressa da pessoa: suas tan­tas esperanças que tardaram e outros tantos desejos não realizados!

Cada qual tem seus conflitos e problemas a vivenciar, assim se dá o desenvol­vimento do ser humano. “Crescer” sempre traz consigo perdas e dores. Quantos pais prometem “meu filho não vai sofrer!”, e não percebem que assim até dificultam esse filho a crescer e a entrar na realidade. Perceber o limite de cada um é funda­mental para o crescimento e se nós não o aprendemos, nos tomamos exigentes de­mais ou passivos, e nossos desejos estarão acima e além da nossa realidade. Por is­so só há saúde e equilíbrio onde o desejo se realiza e a energia é renovada.

Mas, como é a vida das pessoas hoje? Como a vida de milhares de pessoas se encaixam nos planos de Deus, que um dia pensou um paraíso para sua criação? O que temos hoje é um mundo doente, desenergizado, explorado e envenenado! Toda a criação está a sofrer a frustração da esperança de viver a vida dada de graça, por desobediência ao plano de Deus. Assim também as pessoas adoecem por não viverem de acordo com esse plano. Se olhamos ao nosso redor, quantas esperanças tardam nas condições subumanas em que vivem milhões: salários indignos que não permitem um mínimo de realização; assistência à saúde precária ou inexistente; edu­cação discriminatória e ineficaz; moradias inaceitáveis e trabalhos, na maioria das vezes, que só sugam a capacidade produtiva das pessoas e não realizam.

Para aqueles que acham que nada pode ou precisa ser feito, Erich Fromm tem uma importante mensagem. Ele afirma que o pessimismo funciona em grande parte para proteger os pró­prios pessimistas de qualquer exigência interior de fazer al­guma coisa, ao proteger a ideia de que nada pode ser feito.

Diante disso o provérbio nos alerta à necessidade de cuidarmos da árvore da vida. Como cristãos e cidadãos temos a tarefa de repensar a ligação que há entre a doença e a impossibilidade crônica de realizar desejos. Cuidar que não seque a árvore da vi­da, e que o amor vença os obstáculos. Devemos estar, como povo de Deus, de muitas formas A SERVIÇO DA VIDA!

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
pardinhorama@gmail.com

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