domingo, 10 maio, 2026

Educação e Negócios

 Entre todas as dificuldades com as quais sofre nossa sociedade e, por consequência, nossas empresas, uma das mais comprometedoras, tanto para o presente como para o futuro, é o problema da educação. Mesmo porque, todos os outros problemas têm, direta ou indiretamente, ligação com este. Muitas das dificuldades que enfrentamos em relação à saúde, segurança, desemprego e produtividade, se não são resolvidos, pelo menos são amenizados com uma melhor educação. Já escreveu Ruskin: “Reformemos as nossas escolas e não teremos de reformar grandes coisas em nossas prisões”.

Grande parte da população brasileira é obrigada a se contentar com uma formação que termina no ensino médio, haja vista a dificuldade financeira para se cursar uma faculdade particular e as dificuldades, em função do nível de educação que recebeu, para competir pelas vagas nas universidades públicas.

Percebemos, cada vez mais, a importância de uma boa educação, principalmente no início do século XXI, onde as mudanças tecnológicas e a velocidade das transformações em todos os campos do trabalho exigem um grau de aperfeiçoamento cada vez maior, constante atualização e conhecimento técnico por parte dos profissionais. Já escrevi, neste espaço, que em virtude da menor quantidade de anos de estudo, nossos trabalhadores têm uma produtividade 25% menos que a do trabalhador americano, para ficar em um exemplo.

Foi-se o tempo em que um baixo nível educacional era suficiente para garantir um lugar no mercado de trabalho ou, até mesmo, onde um diploma universitário era garantia das melhores vagas. Atualmente, é comum encontrarmos pessoas com graduação e, até mesmo com pós-graduação, lutando por vagas que eram destinadas a pessoas com menor grau de instrução.

Mesmo assim, com esse quadro assustador, é fácil encontrarmos estudantes que não valorizam a oportunidade que têm de cursar um curso superior. Universitários que levam os estudos na brincadeira, cabulando aulas e não se esforçando para receber o máximo possível dos conhecimentos pelos quais estão pagando, geralmente com sacrifícios dos pais. Testemunhei vários exemplos deste comportamento, quando estudante, nas duas graduações que cursei e, mais recentemente, como professor.

É triste perceber que o nível da ‘elite intelectual’, dos ‘formadores de opinião’ de nosso país pode estar piorando. E, justamente, em um momento em que há maior necessidade de pessoas com boa educação, conhecimento e engajamento político-social para influenciar aos demais na luta por uma sociedade melhor, mais justa e menos desigual. Entretanto, são essas pessoas que parecem mais alienadas, fazendo nossa sociedade sucumbir ao que parece um apego visceral a uma mediocridade coletiva. Fico feliz por haver exceções, como você, prezado (a) leitor (a), que se dedicou a leitura deste texto.    

Ou valorizamos a educação ou teremos problemas com a competitividade de nossas empresas. Encerro lembrando uma frase do sempre atual padre Antônio Vieira: “A boa educação é moeda de ouro; em toda parte tem valor”.

* César Gomes de Freitas é professor do Campus Assis Chateaubriand do Instituto Federal do Paraná (IFPR). Possui Pós-Doutorado pela Universidade Federal Fluminense, doutorado pelo IOC/Fiocruz, mestrado pela UCDB e é bacharel em Administração e Ciências Contábeis. Contato: cesar.freitas@ifpr.edu.br  

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