sábado, 5 setembro, 2026
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O amor e o perdão na comunidade cristã

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus apresenta Jesus formando seus discípulos para a vida em comunidade. Ele sabe que a comunidade cristã não será formada por pessoas perfeitas. Haverá diferenças, conflitos, feridas e pecados. Por isso, seguir Jesus significa também aprender a viver em comunidade, acolhendo as diferenças, corrigindo com caridade, oferecendo o perdão e estando sempre disposto a recomeçar.

O Evangelho deste domingo (6/09), parte de uma situação concreta: “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo” (Mt 18,15-20). Jesus não recomenda ignorar o problema, nem expor publicamente quem errou. Propõe o caminho do encontro pessoal. Antes de falar sobre o irmão, é preciso falar com ele. Antes de julgar, é necessário escutar. A finalidade não é vencer uma discussão, mas “ganhar o irmão”.

Aqui está o sentido cristão da correção fraterna. Na comunidade somos responsáveis uns pelos outros. Amar alguém não significa aprovar tudo o que ele faz. Em certas situações, o amor exige uma palavra clara, uma advertência ou mesmo uma discordância. Mas a correção cristã não pode nascer da raiva, da vingança, da inveja ou do desejo de humilhar. Ela nasce da responsabilidade pelo outro e procura sempre sua conversão e reintegração na comunhão.

A primeira leitura (Ez 33, 7-9) ajuda a compreender essa responsabilidade. Deus constitui Ezequiel como sentinela para o povo. O profeta deve advertir aquele que se afasta do caminho. Não pode permanecer indiferente diante do mal. Também nós recebemos, pelo Batismo, uma responsabilidade pelos irmãos. A fé cristã não permite dizer simplesmente: “Isso não é problema meu”. Somos membros uns dos outros e caminhamos juntos para Deus.

Por isso, Jesus estabelece um caminho paciente. Primeiro, o diálogo pessoal. Depois, se necessário, a presença de uma ou duas pessoas. Somente posteriormente a questão chega à comunidade. Existe aqui uma pedagogia de respeito e discrição. O objetivo não é produzir culpados, mas reconstruir relações. Santo Agostinho resumiu essa atitude de maneira precisa: “Se corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor”. É o amor que determina tanto a palavra quanto o silêncio.

Jesus conclui dizendo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. A comunidade cristã não se sustenta apenas pela afinidade entre seus membros. Sua unidade nasce da presença de Cristo. Reunir-se em seu nome é aprender a olhar o outro a partir de Jesus, inclusive quando surgem diferenças e conflitos. Nossas fragilidades não impedem a comunhão, mas pedem conversão, paciência e misericórdia.

Neste Mês da Bíblia, o livro de Daniel nos recorda: “Seu reino jamais será destruído”. Os poderes humanos passam, enquanto o Reino de Deus permanece. Pertencer a esse Reino implica deixar que sua lógica transforme nossas relações. Em uma sociedade marcada pela exposição dos erros alheios e pela facilidade de condenar, Jesus indica outro caminho: aproximar-se, dialogar, corrigir com caridade, perdoar e procurar novamente o irmão. A comunidade torna-se, assim, sinal do Reino quando não abandona aquele que errou, mas procura, na verdade e no amor, reconstruir a comunhão.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo Diocesano de Toledo

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