domingo, 30 agosto, 2026

Por Clóvis de Almeida

Olhando o retrovisor

“Assis Chateaubriand já é o oitavo município do Estado em população. Sem falarmos na energia elétrica e muitos outros benefícios. Há quase 100 escolas municipais e aproximadamente 12 mil estudantes. Pelas estatísticas, daqui a dois anos seremos 120 mil habitantes, 40 mil a mais que hoje”. Não, não é caduquice, é só uma visita ao passado. O parágrafo acima foi extraído de um artigo de Adilson Zanoni no jornal “A Voz do Oeste” de Toledo, do dia 20 de agosto de 1971, quando a cidade completava cinco anos. Zanoni acertou, Assis Chateaubriand atingiu e ultrapassou os 120 mil habitantes no espaço de tempo previsto. Só não conseguiu prever o êxodo que atingiu todo o interior paranaense, quando as cidades perderam populações seguidas, em razão da mecanização da lavoura e abertura de novas zonas agrícolas no Mato Grosso, além da ilusão de serviços em massa nas fábricas que surgiam na Capital.

Tudo era novo

Em maio de 1974, um suplemento especial do jornal A Folha de Londrina trouxe 24 páginas que contavam a história do município de Assis Chateaubriand. Muitas fotos das obras da Prefeitura em andamento. Construções que mostravam o franco desenvolvimento da cidade que ainda era uma criança. O Estádio Municipal, canchas de futebol, a fábrica de papel, o ginásio estadual, fábrica de tubos, asfalto no centro, armazém da Cotia, serraria da Prefeitura, Hospital do Sindicato, escolas diversas e os prédios dos Correios e Telepar, obras que marcaram os primeiros anos da cidade que seria depois chamada de “Morada Amiga”.

Progresso que transbordava

Antes de completar 10 anos de emancipação, a cidade recebeu a infraestrutura básica para o desenvolvimento. O antigo jornal “O Jornal”, publicou em caderno especial por ocasião do 10º aniversário uma matéria especial, do jornalista Hermes Pícoli, descrevendo o progresso que vivia a cidade em 1976. “A comunidade recebeu benefícios de imprescindível valia para encetar sua evolução. Graças a isso, pode-se dizer que a sociedade chateaubriense é uma das mais constituídas da região. O sistema DDD de telefonia, a pavimentação asfáltica das ruas e avenidas da sede, o abastecimento de água, a imprensa, agências de rendas, estabelecimentos bancários, cooperativas, etc., são elementos de vital importância para o desenvolvimento de uma cidade e, Assis Chateaubriand, ainda jovem, possui todos estes requisitos que muitas cidades vizinhas, fundadas há mais tempo, ainda estão pleiteando”, escreveu Hermes, com orgulho do que descrevia der sua cidade.

Todos juntos reunidos

Dois anos depois, 1978, a cidade vivia a inauguração de uma rádio oficial, legalizada, sem o risco de ser fechada por clandestinidade, como uma aventura que já havia ocorrido com uma rádio pirata que durou pouco tempo. Era a Rádio Jornal que conseguiu envolver toda a comunidade na sua programação. Os mais de 100 mil habitantes da época sentiam orgulho de ter uma voz que unia a todos. Milhares de ouvintes escreviam cartas pedindo música e mandando recados a amigos e familiares. A rádio era um elo entre as pessoas, através da música, informação e serviço de utilidade pública. A credibilidade que a rádio conseguiu foi algo inimaginável no mundo de hoje, onde a notícia tendenciosa e mentira do faknews coloca qualquer mídia sob suspeita.

Outros tempos

Era um tempo em que pouca coisa havia se comparado às facilidades do mundo de hoje. Talvez por isso tenho a impressão que as coisas aconteciam muito mais. Toda semana tinha uma novidade, nem que fosse um circo chegando. Tudo era motivo para chamar a atenção e movimentar as conversas de esquinas, bares, reuniões e beira de cerca onde as vizinhas trocavam “figurinhas”. Qualquer coisa diferente chamava a atenção de todos, a ponto de um acidente levar multidões aos hospitais, mesmo sabendo que não poderiam entrar para lamentar ou agourar a vítima.

Mais de meio século depois, cá estamos nós comemorando 60 anos de existência política e quase 70 anos do início da colonização. Uma vida de muitas vidas e longas histórias. Relatos de uma gente que ama esse pedaço de chão e torce para que hoje seja melhor do que ontem, mas não melhor que amanhã.

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