Um passo decisivo para o desenvolvimento econômico e logístico do litoral norte catarinense foi consolidado. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) emitiu a Licença Ambiental Prévia (LAP n° 3364/2026) que atesta a viabilidade ambiental para a instalação do Terminal de Uso Privado (TUP) da Coamo Agroindustrial Cooperativa.
Um complexo multicargas gigante
O empreendimento será instalado em uma área total de 42,8 hectares às margens da Baía da Babitonga, no bairro Bahamas I, em Itapoá. O projeto caracteriza-se como um terminal multipropósito e funcionará com três estruturas independentes para evitar a contaminação cruzada:
Granéis Sólidos: A retroárea contará com dois armazéns destinados a grãos (com capacidade estática de 110 mil toneladas cada) e um armazém exclusivo para fertilizantes (100 mil toneladas).
Granéis Líquidos: O terminal armazenará combustíveis e biocombustíveis em sete grandes tanques verticais, totalizando uma capacidade de 90 mil metros cúbicos.
Gás Liquefeito de Petróleo (GLP): O setor terá capacidade para mais de 38 mil toneladas, contando com um tanque refrigerado e 13 tanques pressurizados.
Engenharia marítima e logística
A estrutura portuária aproveitará o canal de acesso já existente do Porto de São Francisco do Sul. Uma excelente notícia para o meio ambiente marítimo é que a bacia de evolução dos navios no TUP da Coamo não demandará obras de dragagem.
A estrutura sobre as águas possuirá dois cais de atracação (interno e externo) dimensionados para receber embarcações de grande porte das classes Panamax e New Panamax.
A ligação entre a retroárea e os berços de atracação será feita exclusivamente por galerias aéreas em estruturas metálicas, onde passarão as correias e tubulações.
O projeto não prevê ponte de acesso rodoviário à costa, limitando a circulação ao interior das galerias ou ao uso de embarcações de serviço.
Tecnologia limpa e compensações ambientais
Para viabilizar a obra, será necessária a supressão de 36,8 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica. Como contrapartida, o licenciamento exige a aplicação de tecnologias modernas e uma série de compensações ecológicas e sociais:
Operação Sem Poeira: O transporte de granéis sólidos será feito em correias totalmente enclausuradas. Os equipamentos, como moegas, possuirão modernos sistemas de despoeiramento com filtros de mangas para impedir que partículas e pó sejam lançados na atmosfera.
Barreira Verde: O terminal implantará uma “cortina vegetal” com árvores da espécie cipreste-italiano (Cupressus sempervirens) nas laterais urbanizadas, criando uma barreira de até 10 metros de altura para atenuar ruídos e poeira.
Nova Unidade de Conservação: A Coamo apoiará ativamente a regularização fundiária e os processos para a criação de uma Unidade de Conservação (UC) em uma área de manguezal localizada no bairro da Figueira.
Resgate de Fauna e Flora: O projeto estabelece rigorosos programas de afugentamento e resgate de animais durante as obras, além da criação de um banco de germoplasma e viveiro para produzir e doar mudas de espécies ameaçadas.
Próximos passos
A Licença Ambiental Prévia tem validade de 60 meses a partir de sua assinatura. O próximo passo do empreendedor será comprovar o atendimento de dezenas de condicionantes técnicas estabelecidas pelo IMA para requerer a Licença Ambiental de Instalação (LAI). Assim que as obras iniciarem, o cronograma total para a conclusão do megaporto está estimado em 36 meses.
Itapoá News

