A depressão, assim como outros transtornos mentais, pode levar o casamento ao fim, uma vez que afeta o interesse pelo companheiro e pode levar o deprimido a culpá-lo pelo sentimento de vazio interior.
O deprimido apresenta, entre outros sintomas, uma falta de prazer pelas coisas e pessoas que se reflete diretamente no relacionamento. Há uma frieza, como se o companheiro não fizesse diferença em estar ali ao lado.
Pessoas assim podem, após muitos anos de casamento, declarar que deixaram de amar seus cônjuges ou que nunca os amaram. Para quem ouve, chega a ser uma crueldade; para quem declara, acredita que o casamento é a causa da sua depressão.
A verdade é que as pessoas deprimidas podem recusar-se a aceitar que a suposta ausência de sentimentos está ligada à falta de amor pelo companheiro. Acreditam que a relação está destruindo-as e tendem a alimentar a crença de que precisam sair dela para encontrar a felicidade. A fuga é sempre justificada por algo ou alguém, mas dificilmente em si mesmo.
As consequências que a depressão acarretará serão particulares para cada caso, que dependerão do nível de comprometimento da pessoa deprimida e da forma que o companheiro intervirá sobre o problema.
É importante considerar que depressão é um transtorno mental e o deprimido, em maior ou menor grau, passa por um sofrimento psíquico, interior, que estará relacionado desde um leve desânimo ao desespero, um sofrimento insuportável, muitas vezes sem explicação. Por isso, a necessidade de escapar com a maior brevidade possível dele.
Outra consequência da depressão é a incapacidade de sentir prazer pelas coisas e pessoas, citada inicialmente, a anedonia. Ela pode levar o deprimido à crença de que não ama ou nunca amou seu cônjuge, a acreditar que a relação tem que ser intensa e que o companheiro tem que ser um eterno apaixonado.
Toda vez que alguém diz que seu casamento chegou ao fim, é necessário considerar a possibilidade da existência de depressão ou outro transtorno de humor. Para quem convive com o deprimido, o sentimento é de falta de reconhecimento e valor, uma vez que o deprimido é um pessimista de plantão e tende a sempre ver o lado negativo dos fatos.
Com uma dose de bom senso, persistência no relacionamento e com ajuda, preferencialmente especializada é possível o que parecia tão previsível, a separação.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.



