| Carolina Juliano |
No dia em que entraram em vigor tarifas adicionais de 25% sobre produtos exportados aos Estados Unidos, o governo federal anunciou um pacote de medidas para ajudar exportadores que serão afetados com R$ 18 bilhões em crédito a juros menores. O socorro é a terceira fase do Programa Brasil Soberano e será voltado a setores estratégicos e a quem exporta para o Golfo Pérsico, onde acontece a guerra no Irã. Os recursos sairão R$ 13,5 bilhões dos cofres do Tesouro nacional e R$ 5 bilhões do BNDES, com taxas de juros que variam de 3% ao ano a 9,8% para empresas de grande porte que precisam de capital de giro.
O governo federal anunciou hoje um novo aporte de R$ 18,5 bilhões em crédito emergencial para apoiar empresas exportadoras afetadas pelas sobretaxas comerciais dos Estados Unidos. O socorro, que é a terceira fase do Programa Brasil Soberano, também será voltado a setores estratégicos e a quem exporta para o Golfo Pérsico, onde acontece a guerra no Irã.
O QUE ACONTECEU
Os R$ 18,5 bilhões estão em uma medida provisória assinada pelo presidente Lula (PT) durante a divulgação da terceira fase do Plano Brasil Soberano. O anúncio ocorre no mesmo dia em que entra em vigor a taxa de 25% cobrada pelos Estados Unidos.
Os novos recursos combinam verbas do Tesouro Nacional e financiamentos liberados pelo BNDES. Enquanto R$ 13,5 bilhões sairão dos cofres do Tesouro, o banco estatal viabilizará um reforço de R$ 5 bilhões. O valor que sairá do Tesouro foi o que sobrou de linhas de crédito anteriores, segundo o governo. Setores estratégicos também terão acesso ao crédito. “São três grupos: os afetados pelo tarifaço, setores estratégicos e exportadores para o Golfo Pérsico”, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
As taxas de juros variam para quem tomar o crédito emergencial. Elas vão de 3% ao ano para minerais críticos a 9,8% para empresas de grande porte que precisam de capital de giro. “Estamos prevendo um comitê que vai reservar cotas para setores estratégicos, como minerais críticos e fertilizantes”, segundo Moretti. Para quem quiser usar o dinheiro para investir, o percentual será de 6,5%.
As novas tarifas americanas ameaçam cerca de US$ 7,4 bilhões em vendas externas do Brasil. Os setores mais atingidos são os de máquinas, madeira, móveis, borracha, pneus e alimentos, enquanto café e carnes seguem isentos. O presidente Lula também sancionou o texto que oficializa a segunda etapa do programa de socorro. A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional foi regulamentada durante a solenidade realizada em Brasília.
COMO FUNCIONA O PLANO BRASIL SOBERANO
O programa de crédito emergencial foi criado em agosto de 2025 para proteger a indústria nacional. O objetivo do governo é evitar demissões e garantir investimentos diante das taxas de até 50% aplicadas pelos Estado Unidos. As empresas beneficiadas pelo crédito facilitado devem cumprir uma contrapartida social obrigatória. Para acessar os juros menores e prazos de até 20 anos, as exportadoras precisam manter ou ampliar suas vagas de emprego. O agronegócio desponta como o principal tomador de recursos das fases anteriores do programa. O setor agropecuário concentrou R$ 7,7 bilhões em financiamentos do BNDES, o que representa cerca de 40% do total liberado.
EXPORTADORES COBRAM APOIO
Empresas afetadas pelo tarifaço apresentaram novas exigências urgentes aos ministérios nesta semana. Os exportadores pedem o adiamento por 120 dias de tributos federais para aliviar o caixa das indústrias prejudicadas. O setor privado também cobra barreiras contra a entrada de produtos vindos da China. A medida visa compensar a perda de espaço no mercado norte-americano provocada pelas novas taxas de Donald Trump.



