quarta-feira, 8 julho, 2026
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Morre o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa aos 95 anos

O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa –
Globo / João Miguel Júnior

Benedito Ruy Barbosa morreu dia 07/07/26, aos 95 anos. O autor de novelas estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, com complicações de insuficiência renal crônica. Ele tratava a doença havia três anos e já tinha um “histórico de reinternações”, segundo os médicos.

CARREIRA

Natural de Gália, interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. Passou parte da infância na cidade vizinha, Vera Cruz. O início da vida rodeado de cafezais, com grande concentração de imigrantes europeus e asiáticos influenciou o que viria a ser o trabalho do autor. Benedito Ruy Barbosa ficou conhecido por retratar especialmente a vida rural e o trabalho dos imigrantes. Adulto, se mudou para São Paulo, depois passou uma curta temporada em Maringá (PR), o que aumentou ainda mais o repertório sobre a rotina interiorana. Escreveu o romance “Fogo Frio”, que em 1959 foi adaptado para o teatro e se tornou a primeira produção dramatúrgica de Ruy Barbosa. “Fogo frio é porque a geada queima a plantação.

Em 1952, aconteceu uma grande geada que dizimou os cafezais de Maringá, Marialva e Mandaguarí. Foi um desastre. Eu, primeiro, fiquei extasiado de ver a beleza de todo aquele verde coberto com um lençol branco. Quando o sol esquentou, queimou todo o café”, contou em entrevista à Globo… Antes de se firmar como dramaturgo, passou num concurso promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Foi repórter de esportes e, com o sucesso do primeiro romance, se tornou redator da agência publicitária J.W Thompson.

Sua estreia nas novelas foi em 1966 com “Somos Todos Irmãos”, na TV Tupi. Com o tempo, foi acumulando títulos de sucesso como “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Cabocla” (1979) e “Sinhá Moça” (1986). “Pantanal” (1990) foi a grande estreia do autor no horário nobre, na TV Manchete. A produção, um sucesso estrondoso, foi recusada pela Globo na época, mas 34 anos depois virou remake no canal. Na sequência veio “Renascer” (1993), na TV Globo. Nesse período, Benedito foi consolidado como um autor que explorava o ambiente externo e as sagas: novelas que tinham primeira e segunda fase.

Com o “Rei do Gado” (1996), Benedito Ruy Barbosa mexeu num vespeiro. O autor recebeu ameaças de fazendeiros por abordar o MST (Movimento Sem Terra). Foi a primeira vez que isso aconteceu em uma novela. “Foi a novela mais tensa que já fiz. Primeiro, adoeci, tive problemas de coluna e atrasei os capítulos. E, por estar mexendo com os sem-terra, sempre andei na corda bamba, tentando conduzir a trama sem criar atritos”, contou o autor em entrevista publicada pelo jornal Folha de São Paulo em janeiro de 1997…

Mas, independente do enfoque da trama, o principal era que a novela tivesse um casal protagonista muito apaixonado. Foi o que o novelista também buscou trazer em “Terra Nostra” (1998) e “Esperança” (2002). Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor.

BENEDITO RUY BARBOSA EM ENTREVISTA À TV GLOBO

O autor ainda assinou dois remakes de novelas originalmente suas: “Sinhá Moça” (2006) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014). Anos depois, Bruno Luperi, neto de Benedito, foi o responsável pelos remakes de “Pantanal” (2022) e “Renascer” (2023) para a TV Globo. Sua última novela foi “Velho Chico” (2016). A novela foi marcada por uma tragédia: a morte do ator e protagonista Domingos Montagner, afogado no rio São Francisco, durante a produção da trama. Benedito foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa. Ela morreu em agosto de 2014 em decorrência de um câncer. Ele deixa os filhos Edmara, Edilene, Marcelo e Ruy.

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