terça-feira, 7 julho, 2026
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MATO GROSSO – O empreendedor do Cerrado

Vitório Cella trocou o Sul do Brasil pelas promissoras terras do Centro-Oeste

Pouco mais de meio século se passou desde que um migrante sulista deixou as terras onduladas de Santa Catarina. Em sua juventude, logo após o serviço militar, Vitório Ângelo Cella decidiu deixar Chapecó para iniciar uma jornada inovadora. Passou em um teste e foi estudar em um colégio agrícola da Suíça. Lá ficou por três anos, de 1970 a 1973, em uma “grande propriedade de 28 hectares”, brinca o produtor. “Aprendi a trabalhar e economizar, a fazer a relação custo-benefício de uma atividade agrícola”, conta.

Pouco depois de voltar ao Brasil, o jovem de 26 anos resolveu partir em busca de uma vida promissora no Centro-Oeste do Brasil. Em 1975, quando o Cerrado dava seus primeiros passos no agronegócio, o jovem catarinense foi trabalhar para um produtor rural de Barra do Garças, sem salário fixo, apenas com a comissão sobre eventual lucro. Ali ficou por três anos abrindo áreas para o cultivo de grãos.

Em 1978, foi fazer o mesmo para um tio em uma fazenda no município de Nobres, onde permaneceu por cinco anos. Nesse período, conseguiu crédito no Banco do Brasil para comprar 360 hectares de terra com dois anos de carência e mais oito para pagar. Em 1983, mudou-se para a cidade de Nobres para que as três filhas que teve com a esposa Carme pudessem estudar.

O cultivo próprio começou com 300 hectares de arroz de sequeiro. “A Carme me ajudava em tudo. Fazia comida para os peões, puxava arroz de caminhão”, conta.  No entanto, os baixos preços do grão o fizeram partir para a soja, em 1985, e para o milho a partir dos anos 1990. “Tive que fazer a correção do solo com calcário, mas a soja rendia de 34 a 38 sacas/hectare e dava lucro”, lembra o produtor.

O estilo empreendedor de Vitório Cella começou a se manifestar e ele foi um dos responsáveis pelo projeto que resultou na construção de granjas e de um frigorífico para abate e processamento de suínos em Nova Mutum. A ideia de criar uma diversificação de atividades deu certo e segue em operação.

No campo, com o bom desempenho da soja, o produtor foi adquirindo áreas maiores e, atualmente, é proprietário de uma lavoura de 1.740 hectares em Sorriso e outra de 1.200 hectares em Novo Mutum. A produtividade média da soja está em 75 sacas e a do milho, em 163 sacas/hectare. Para construir essas médias de rendimento, ele faz plantio direto e semeia braquiária ainda com o milho safrinha na lavoura. A planta de cobertura ajuda no controle de ervas, protege o solo das chuvas e altas temperaturas e, ainda, areja a terra, permitindo que as raízes da soja e do milho se aprofundem.

RESULTADOS COLETIVOS

Vitório Cella faz questão de registrar que os bons resultados vieram, também, da dedicação dos funcionários. “Ninguém constrói riquezas sozinho”, ensina. Vitório revela a maior parte de seus 19 funcionários fixos trabalha com ele há longa data. “Eles ganham prêmios por desempenho. Cuidam para que a lavoura vá bem, trabalham e ganham bem”, assegura.

Da experiência que teve na Suíça, a gestão das atividades é uma das que mais lhe está sendo útil. Opera com recursos próprios há 25 anos e já encaminhou a sucessão familiar. Das três filhas, todas são ligadas ao agronegócio, direta ou indiretamente. Sílvia, a primogênita, é bioquímica e possui laboratórios de análises clínicas.  Carla é agrônoma e atua na propriedade, assim como a irmã caçula Ester, que é advogada e cuida das questões tributárias e legais das duas fazendas. Além disso, brinca o produtor, “elas me deram três bons genros”.

Na sede da fazenda de Sorriso, Vitório construiu uma “casa bem boa” para receber as filhas, os genros, duas netas e três netos para os tradicionais churrascos aos domingos. No entanto, ele entende que o maior bem não são os materiais. “O maior patrimônio não é casa, é a família”, ensina. Com um jeito diplomático, ele diz que o conhecimento deve estar a serviço do progresso e da geração de empregos e renda. E com a experiência de quem já viajou por 60 países, Vitório garante: “A melhor região do mundo para o agronegócio é a de Nova Mutum e Sorriso.”

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Assis Chateaubriand