Neste mês, o Brasil celebrou uma história para lá de inspiradora. A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos de vida, tornando-se a segunda pessoa mais velha do país e uma das pessoas mais velhas do mundo. Olhando para sua trajetória, é possível imaginar quantas transformações sociais, tecnológicas e culturais vivenciou. Com a sua história, podemos refletir sobre o envelhecimento, e sobretudo, saudável.
Em uma época marcada pela pressa, pela busca de resultados imediatos e pela cultura do “tudo para ontem”, histórias como a de Beatriz nos convidam a olhar para a saúde sob uma perspectiva mais ampla. Os familiares relataram que ela manteve uma vida ativa durante muitos anos, praticando atividades como caminhada, corrida e natação até depois dos 100 anos de idade.
Enquanto isso, observa-se atualmente uma crescente busca por transformações rápidas. Muitas pessoas desejam emagrecer em poucas semanas, ganhar condicionamento físico em tempo recorde ou alcançar padrões estéticos idealizados sem respeitar os limites do próprio organismo. Dietas radicais, excesso de exercícios, uso inadequado de medicamentos e promessas milagrosas se tornaram cada vez mais comuns.
Vários estudos indicam que o envelhecimento saudável depende de vários fatores, sendo uma combinação de fatores genéticos, bons hábitos incluindo alimentação saudável, prática de atividade física, controle do estresse, vínculos afetivos e propósito de vida.
A correria do dia a dia, muitas vezes nos consome de tal forma que não paramos para refletir sobre o rumo que estamos dando às nossas vidas. A produtividade e a comparação constante nos encarceram de tal forma que o cansaço e o estresse facilmente se fazem presentes e o corpo passa a ser tratado como um projeto de curto prazo, quando, na verdade, deveria ser encarado como uma morada para a vida toda.
A ansiedade por resultados rápidos costuma gerar frustração, culpa e sofrimento emocional. Em contrapartida, quando aprendemos a respeitar os processos, desenvolvemos uma relação mais saudável conosco mesmos. Pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo costumam produzir benefícios muito maiores do que soluções extremas e passageiras.
A história da pernambucana não deve ser vista apenas como uma curiosidade sobre alguém que viveu, até então, mais de cem anos. Ela oportuniza a reflexão sobre como estamos cuidando de nós mesmos.
Do ponto de vista emocional, o destaque é para a manutenção de vínculos sociais sólidos. Manter relações familiares próximas, participar de grupos da comunidade traz o sentimento de pertencimento ao mesmo tempo que combate grandes males como o isolamento social e a depressão.
Talvez o verdadeiro segredo da longevidade não esteja em fórmulas rápidas, mas na soma diária de escolhas conscientes, no equilíbrio entre corpo e mente e na capacidade de compreender que a saúde é uma construção contínua. Escolher como você quer envelhecer pode determinar as mudanças de atitudes que você irá incorporar na sua rotina. Conciliar o que o mundo acelerado rege a uma reflexão profunda pode te conduzir a longevidade de forma plena.
Silvana Pedro é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.


