sábado, 9 maio, 2026

Uma fábrica de papel em Assis

Capítulo II

Em uma edição de sábado passado de O Regional iniciei um artigo sobre uma fábrica de papel e um túnel abandonado em Assis Chateaubriand. Hoje, publico a segunda parte. Para relembrar a parte ‘um’: Nas margens do Rio Alívio, a poucos quilômetros do centro de Assis Chateaubriand, sobrevivem ruínas quase desconhecidas que guardam a história de um ambicioso projeto industrial iniciado nos anos 1970: a instalação de uma fábrica de papel que nunca se consolidou. Entre túnel, paredão e estruturas de concreto hoje engolidas pela vegetação, o local revela não apenas o porte da obra interrompida, mas também relatos de pioneiros e decisões políticas que ajudam a explicar por que o empreendimento foi abandonado e acabou caindo no esquecimento da população local.

Buscando explicações

Falei com ex-prefeito Koite Dodo. Liguei a ele, que já morava em Curitiba, e perguntei a versão dele da história. O Koite narrou que, ao assumir seu primeiro mandato de prefeito em 1977, mandou fazer um levantamento completo da construção da fábrica e chegou à conclusão de que não havia consistência nos propósitos da indústria que se propunha a instalar na cidade. Segundo Koite, os diretores da fábrica queriam tudo de graça. Queriam que a Prefeitura continuasse a construção com dinheiro público.

Justificativa

Koite lembrou que a situação não era boa e o município não possuía recursos para um investimento tão grande. Ficava inviável. Koite disse ainda que se colocou à disposição para interceder junto ao governo do estado e federal para solicitar ajuda, mas o pessoal da fábrica não aceitou, abandonaram tudo, fecharam a fábrica e foram embora, levando as máquinas e os sonhos de mais de 2 mil funcionários. Ao final da conversa, Koite Dodo disse bem assim: a intenção dos donos da fábrica não era boa.

Fez história sim!

A fábrica funcionou de 1970, a 1977 – foram sete anos fabricando massa base para papel e papelão. O engenheiro Tadamishi Hara, que atuou na abertura do município nos anos 60, me disse também em entrevista que esta fábrica já estava fabricando papelão para caixas de sapatos de algumas fábricas de São Paulo.

Provas

Seja lá o que se deu para o fechamento, a verdade é que se tratou de uma indústria que estava empregando muita gente, mais de 2 mil funcionários. Eu conversei com alguns deles para uma longa reportagem que publiquei em dois jornais e no meu livro sobre Assis Chateaubriand, há mais de 10 anos, com depoimentos, fotos e cópias de documentos que comprovam tudo isso que acabei de dizer aqui. No e-book eu mostro documentos, depoimentos e fotos de carteiras de trabalho com registros da Celulose Tupãssi.

Descanse em paz!

Em resumo, a fábrica de papel e celulose que se chamava Celulose Tupãssi, foi um sonho de progresso que ficou perdido e esquecido nos últimos 40 anos. Está lá, nas margens do Rio Alívio, contrastando concreto e natureza, num silêncio profundo só quebrado pelo canto de pássaros e o burburinho das correntezas do Rio Alívio, que ao lado corre calmo, testemunha silenciosa da existência de um projeto abortado.

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