quinta-feira, 30 abril, 2026

Por Clóvis de almeida

Tudo como dantes

É Pascoa! Seria insano não falar aqui de Páscoa nesta semana. Todo ano é a mesma coisa, mas a tradição, os costumes e a fé de um povo precisam permanecer para que não se percam identidades. O jornalista aprende desde cedo que certas práticas são imutáveis na redação de um jornal. Certas datas do calendário são presenças obrigatórias nas pautas diárias ou semanais. Não dá pra omitir os dias das Mães, dos Pais, da Criança, dos Namorados, Natal, Ano Novo, da Mulher, Carnaval e a Páscoa. Há ainda o mês das mães e das noivas. São pautas que as redações não podem esquecer, e todo ano é a mesma coisa, onde o assunto tem mínimas alterações.

É só repetir

Quase que dá pra usar a matéria do ano passado, onde os detalhes raramente sofrem alterações. São as homenagens, as mensagens, os tipos de presentes, os preços da época, o volume de vendas, as tendências copiadas de um ano para o outro, a brincadeira do amigo secreto, a venda de ovos de Páscoa, o aumento no consumo de peixe e outras repetições imutáveis, entra ano e sai ano, há mais de um século.

Tudo igual

Outro assunto comum é a citação de que a sociedade está perdendo seus valores de fé, de respeito, tradição religiosa ou familiar. São centenas de frases de efeitos espalhadas em textos de matérias, crônicas, colunas, programas de rádio, de televisão e até colóquios de esquinas. Todas afirmando o que todo mundo está careca ouvir: que a cada ano o mundo fica mais comercial e que as datas comemorativas estão perdendo os valores espirituais.

Conservar é bom

Mas será que isso é mesmo verdade ou é também já uma tradição de reafirmar uma verdade inventada? Ainda que digam que o mundo está ficando cada vez mais materialista, acompanhamos reportagens lindas na televisão, nos jornais e no rádio sobre pessoas que dão suas vidas para salvar o próximo; gente que doa órgãos, ainda em vida; cidadãos que encontram grande quantidade de dinheiro perdido e entregam aos seus donos; professores abnegados que se doam aos seus alunos; religiosos que enfrentam situações adversas para levar a palavra de Deus a lugares inóspitos; bandidos que se regeneram em nome do Cristo e tantos outros exemplos de amor à humanidade. Sinal de que a manutenção do que é bom continua a ser feita.

Nem tudo muda

As pessoas não estão ficando nem mais, nem menos materialistas. O mundo segue igual. O que as pautas precisam é de assunto e, se acabar a tradição de dizer que a cada ano as pessoas perdem valores,  quem se desvaloriza é a notícia. Os púlpitos também precisam de assuntos de agenda, são eles que ilustram a passagem da sacolinha. Por mais que insistam em dizer que a Páscoa, o Natal e outras festas estão perdendo os valores cristãos, elas continuarão a ser comemoradas com o mesmo fervor de sempre.

O outro lado

O que pouco acontece é quem as vive escrever sob a ótica da fé. Quem mais fala disso são os que olham mais para as prateleiras do que para o altar. São os mesmos que na semana seguinte começam a venda de publicidade para uma nova campanha. Falam mal do consumismo, mas vivem dele.

Talvez, o maior mal das comparações é a hipocrisia, que impõe a imbecilidade do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Feliz foi Benito de Paula quando cantou: “Tudo está no seu lugar, graças a Deus…” Se não estiver é porque ainda não chegou a hora de estar. Acredite, sua hora vai chegar!

Feliz Páscoa!

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