Nossas verdades e mentiras
Tem muita gente que não conhece a história da fábrica de papel que o ex-prefeito Koite Dodo começou a construir no Rio Alívio. As bases de concreto ainda estão lá, em ruínas, abandonadas. Para o professor Laércio Souto Maior, Rudy Alvarez disse que seu adversário político nos anos 60, o farmacêutico Ivo Muller, espalhou boatos de que a barragem da usina elétrica no rio Alívio iria ruir por deficiência de construção. Tal conversa teria se originado porque a candidatura a prefeito de Rudy teria crescido muito, me contou o ex-prefeito numa longa entrevista, em 2007. A verdade é que Rudy se elegeu e a barragem está segurando águas do rio até hoje com água que a gente bebe.
Corre que lá vem tiro!
Outra polêmica é sobre os jagunços que rondavam a região. Rudy me garantiu que os homens a quem se chamou de jagunços eram apenas “guardas florestais”, que “guardavam” as propriedades em colonização, e que nunca mataram ninguém. Por outro lado, a história de um tal pistoleiro “Ferreirinha” é comentada até hoje. O jornal O Paraná, em outubro de 1980, publicou em tom de deboche: “Assis Chateaubriand é mesmo uma cidade fadada ao anedotário nacional, apresentando a cada dia, novos e mitológicos fatos para reforçar o já rico folclore do oeste”. A menção se devia a dois fatos que realmente viraram piadas, de nível nacional.
Até santa tivemos
Contei aqui dia desses que, nos anos 70, já como repórter de rádio, tive a oportunidade de acompanhar e relatar aos ouvintes da época duas histórias. A primeira foi a suposta aparição de uma santa milagrosa no Patrimônio Nice e a outra, o encontro da “mãe” da apresentadora Hebe Carmargo, que “vivia” num casebre, no Distrito de Encantado D’Oeste. Os dois casos eram mentiras. A família das garotas que diziam ver a santa confessou que era mentira e, Hebe Camargo fez questão de mostrar que a verdadeira mãe dela nada tinha a ver com a senhora do Paraná.
Luta inglória
“O Paraná” também citou Assis Chateaubriand por uma grande polêmica que se fez em torno do desmembramento do entreposto da Coopervale, em 1986. O que não se efetivou, apesar da movimentação de alguns agricultores e políticos da época.
Falha na matrix
Dois outros assuntos também abordados na mesma edição de O Paraná fazem parte da lista de fatos pitorescos, para não dizer lamentáveis. Um, é a fábrica de papel abandonada no auge da fabricação de celulose, e o cinema que nunca inaugurou, na Praça Nossa Senhora do Carmo. O cinema era esqueleto a céu aberto até a poucos dias e da fábrica restaram os alicerces.
Mito de inocente
Muitos se lembram da história de uma tal fábrica de óleo de soja, a Pacaembu, que deveria ter sido instalada em Assis, mas foi para Cascavel. Dizem que, por falta de apoio político. É outra conversa fiada. Só um maluco instalaria uma grande fábrica naqueles dias numa cidade sem aeroporto e nem asfalto.
Segredinho quente
Outros mistérios povoam a imaginação dos mais antigos, como os incêndios da Rodoviária, na Avenida Irene Monarim, e da Câmara Municipal, no antigo prédio de madeira que queimou todo. Tem gente que afirma saber quem acendeu a binga e quem mandou (mas não conta).
Tudo latinha
Vez por outra, alguém ressuscita uma velha piadinha que tomou proporções indigestas sobre a vida da cidade, no final dos anos 80, quando Assis Chateaubriand foi apelidada de “cidade da latinha”. A menção fazia gozação sobre as empresas que tinham ido embora do município, num trocadilho com o verbo ‘ter’, “lá tinha as lojas HM, lá tinha Arapuã, lá tinha os bancos Noroeste, Real, Unibanco, lá tinha a Receita Federal, lá tinha a Receita Estadual, lá tinha fábricas de papel e de palmitos, lá tinha seis hospitais, lá tinha 130 mil habitantes” e por aí afora. Lamentavelmente é tudo verdade, tinha mesmo.
Mito cabeludo
Há quem insista em afirmar que a empresa Sadia deveria estar em Assis Chateaubriand, e não em Toledo. A culpa seria de políticos da época que não atenderam aos pedidos dos catarinenses, por isso eles se instalaram na cidade vizinha. Fui nas fontes dos anos de 1960 para buscar a verdade dos fatos e entrevistei o médico Adelino Campagnolo, o prefeito de Toledo quando Assis se emancipou daquele município. Portanto, ele foi prefeito de Assis, ou melhor, da antiga Tupãssi. Campagnolo era político influente quando a Sadia se instalou por essas bandas paranaenses. Ele contou como foi. Exatamente como me disse o ex-prefeito Rudy Alvarez em julho de 2007. Ambos afirmaram que a Sadia veio para Toledo porque lá já se criavam porcos em grandes chiqueirões e isso atraiu a empresa catarinense. Rudy contou-me em detalhes a vinda dos empresários do escritório de São Paulo para conhecer Toledo. Campagnolo confirmou os detalhes. Assis era a esperança nas lavouras verdes de hortelã, milho e um pouco de cafezal remanescente das plantações pioneiras. Portanto, não havia a menor razão para afirmar que a Sadia pudesse se instalar em Assis. Absolutamente fora de cogitação. Risível, até. Uma oposição política ao governo local da época, que causou burburinhos, mas não foi o suficiente para ganhar as eleições de 1972, quando o prefeito Rudy Alvarez fez o sucessor, Manoel Ramos, que havia sido interventor.



