Que fim levou Maria Biscoito?
De vez em quando alguém me pergunta que fim levou a Maria Biscoito. Todas as vezes em que falo dela faço questão de lembrar que a figura lendária daquela mulher dançando nos desfiles com uma trouxa de roupa na cabeça é o tema de crônica que gerou mais atenção e visualizações nas minhas páginas do Facebook, crônicas do meu site e artigos que escrevi para O Regional. Os mais jovens não conheceram aquela figura que, por muitos anos, se misturou ao dia a dia de quase todo mundo que por aqui vivia.
Uma lenda
Uma das figuras mais misteriosas que já passou por Assis. Chamada de doida, louca, maluca e outros adjetivos, Maria Biscoito era o nome que lhe deram. Nos anos 70, 80 e meados dos 90, a maioria da população da cidade conhecia aquela figura folclórica que perambulava pela cidade, recolhendo papel e latinhas. Não faltavam crianças e até alguns adultos abusados para tirar Maria do sério. Não suportava que lhe chamassem de Biscoito. Quando ouvia o apelido que lhe deram, muitas vezes, reagia com palavrões, devolvendo impropérios a quem quer que fosse. Normalmente era calma e até gostava de jogar conversa fora, embora na maioria das vezes não dizia coisa com coisa. Morou em fundos de quintal, de favor e até construiu um barraco num antigo lixão nos fundos do Conjunto Ivo Müller, onde morou por muitos anos.
Maria Biscoito e Maria Bolacha
Uma figura não menos pitoresca que viveu em Assis na mesma época que a famosa Biscoito, era também Maria, porém, Maria Bolacha. Essa, brigava fácil quando alguém lhe dirigia alguma brincadeira. Dizem que foi a responsável pela iniciação sexual de muitos garotos da época. Vivia pelas ruas, sempre mal-humorada, ao contrário de Biscoito, que adorava cantarolar e dançar no meio da rua, com uma trouxa de roupas na cabeça.
A baliza dos desfiles
Biscoito era atração nos desfiles cívicos, quando colocava um velho e esfarrapado vestido de noiva, para marchar sempre no primeiro pelotão. Adorava assistir às missas dos domingos, de pé, em frente ao altar. Não incomodava ninguém e com o tempo virou uma imagem comum de todo dia, sem que ninguém se importasse com suas exibições.
Maria Maria
Já Maria Bolacha era sinistra e punha medo nas crianças. Quem não viveu aqueles dias não tem a menor ideia de quem eram aquelas Marias, com visíveis problemas psicológicos. Mesmo quem as conheceu, hoje tem dificuldades num primeiro instante, de lembrar quem era a ‘Biscoito’ e quem era a ‘Bolacha’. Dizem que Maria Bolacha morreu em Iracema.
Qual Maria morreu?
Disseram que dona Maria Biscoito havia morrido também, depois de sumir de Assis e ficar muitos anos sem dar notícias. Porém, dona Biscoito foi localizada vivinha da silva e morando em Minas Gerais, na cidade de Água Boa, a 370 quilômetros ao nordeste daquele estado. Quem me garantiu isso foi o amigo Rafael de Paula Freire, em julho de 2009. Ele a reconheceu em uma praça da cidade mineira. Rafael estava com a esposa e os filhos, em visita a seus parentes que lá residem.
Não mudou nada
Conforme Rafael, a andarilha mantinha praticamente a mesma forma física e os trejeitos conhecidos de quando andava no Paraná. “Ela não mudou nada. O lenço na cabeça e o vestido rodado, tal qual usava em Assis”, me afirmou ele, explicando que dona Maria ficou um tanto assustada quando ele a chamou de Dona Maria. “Ela foi pra Minas porque lá em Água Boa moram todos os parentes dela, com quem estava residindo. Com certeza vieram em Assis busca-la”, me disse Rafael.
Adeus dona Maria!
Anos depois, os parentes de Rafael em Minas comunicaram a ele que dona Maria havia morrido. Ela está sepultada em Água Boa, Minas Gerais.
Sempre que falo dessas Marias, alguém se lembra e comenta sobre o Bastião Doido, Pipa, Zé da Faca e outros personagens folclóricos que fizeram medo ou alegrias no século passado em Assis. Já um falei também um pouco de cada um deles e outros mais. Está tudo no meu site ou no Facebook: @MoradaAmigaChateaubriand – @assis@fatosefotos – www.clovisdealmeida.com.br.



