sexta-feira, 6 março, 2026
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O semeador e seus desafios, esperança e alegrias

“Põe a semente na terra não será em vão, não te preocupe a colheita, plantas para o irmão”. O evangelho de Lucas 8.4-15 nos apresenta a parábola do semeador. O semeador é uma pessoa de esperança, alguém que acredita no futuro. A atividade de semear é uma ação humano-divina que exige confiança. Supõe um trabalho cuidadoso: o preparo da terra, a seleção da semente, lançá-la no tempo certo, regar e esperar que germine, cresça, amadureça até chegar aos frutos desejados. “Da terra brota verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar. Salmo 85.11

            Esta palavra tão conhecida, tão antiga, é sempre nova em nosso meio. Aquela semente que foi lançada na terra fértil germinou e deu bons grãos. A outra semente que caiu na beira do caminho foi pisada e comida pelos passarinhos. A que caiu no meio dos espinhos – os espinhos cresceram a abafaram as plantas. A outra foi lançada no meio das pedras. Germinou, nasceu, mas morreu por falta de umidade. Compararando a situação deste semeador, existe a preocupação em lançar as sementes na terra boa, para colher bons grãos. Mas aí vem o outro lado mais preocupante, que sempre procura tirar as coisas boas e lançar no meio das pedras, espinhos ou no meio do caminho, que será devorado pelos passarinhos. Que semente somos nós hoje? Como podemos entender o conteúdo destas comparações que Jesus fez a tanto tempo?

            Alguns estão distraídos, alienados, sonhando com coisas que nunca se realizarão (as sementes que caíram ao longo do caminho). Outros andam entulhados de coisas materiais, apaixonados pelo consumismo (as sementes que caíram entre espinhos). Há também aqueles que se deixam comandar pelas novelas, que acham que tudo no mundo é um romance, e diante da primeira dificuldade caem no desespero (as sementes que caíram em terreno pedregoso, que logo secam sob o sol).

            Simplesmente é uma história! Mas a simples história deste semeador, hoje, é muito importante. Podemos viver a nossa vida assim como Jesus fez a comparação aquele semeador, poderia ser alguém de nós, comparado com uma destas sementes, seja a semente boa ou não. Estamos olhando a nossa situação? Qual o nosso dever hoje? Ler a história, procurar entender, viver a nossa vida, e nada mais? Ou, simplesmente dizer: eu faço tudo conforme meus pais me ensinaram?

Aprendi os mandamentos, e fui batizado, crismado e confirmado, e de vez em quando vou na igreja assistir as celebrações, e assim por diante. Mas o principal sempre fica na dúvida: eu posso ser uma semente boa? Ou o que sou para Jesus? Para a minha comunidade, para os meu familiares, para com a sociedade?

Quando lemos a Bíblia encontramos sempre comparações diversas que servem para a nossa vida cotidiana. Poderíamos tirar da Bíblia muitos e muitos textos bonitos, frases boas, mas na realidade nada disto faz parte da nossa vida. Quando Deus fez a terra, também fez os homens, os animais, as sementes, tudo isto para tirar desta terra o que precisar. Só não podemos esquecer que devemos ser sempre aquela boa semente, ou a boa terra e o bom semeador.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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