Em uma observação, mesmo que superficial, constatamos que os habitantes de todas as cidades brasileiras são cristãos. Como acontece na maioria dos lugares, também estão divididos em muitas confissões: evangélicos, batistas, católicos romanos, católicos ortodoxos, luteranos, congregacionais, presbiterianos, metodistas, pentecostais e muitas outras. Como entender estas divisões e até conflitos verbais e disputas territoriais em relação ao que Cristo disse: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4.20). Mas não entendíamos que estas palavras de Cristo querem que amemos também os bóias-frias, os subempregados, os índios massacrados, os negros marginalizados, e que amá-los é mais do que atirar-lhes uma esmola; que amá-los significa lutar pela transformação da sociedade que gera pobreza e os marginalizados. Cristo, diz: “No amor a Deus e ao próximo resumem-se toda a lei e os profetas” (Mt 22.34-40).
Parece que não entendemos bem estas palavras e respondemos a Cristo dizendo: Sim, Senhor, nós queremos ser teus seguidores, porque, inclusive, zelamos com muito carinho pelas nossas verdades dogmáticas, pelos costumes que os nossos pais nos legaram e pelas tradições.
Não entendemos que Cristo quer unir os cristãos em comunhão e que a força dessa comunhão inclua a todos na fraternidade, na solidariedade, na celebração ecumênica e universal do amor de Cristo.
Finalmente, um dia, ouvimos Cristo falar aos fariseus e descobrimos que estava falando para nós, quando disse: Hipócritas! Então ficamos intranquilos, porque, partir desse momento, aprendemos a ver como tarefa nossa a necessidade de colocar a nossa união fraternal, ecumênica e solidária, acima do orgulho dos nossos templos e das nossas torres; união ecumênica, força transformadora de uma sociedade injusta que gera discriminação e miséria, já que o sentido ético da Igreja de Cristo é servir; ficamos intranquilos, porque descobrimos que não é interessante para Cristo ver os seus seguidores divididos em vários templos, em vários estatutos, em várias torres, uns combatendo os outros e caçando “sócios” dos outros; vimos que não é interessante para Cristo ver os seus seguidores preocupados em preservar costumes, tradições e conceitos vazios; vimos que é mais interessante para Cristo, isto sim, que os seus seguidores se unam ecumenicamente em amor e façam agir este amor na formação de uma comunhão engajada, transformadora e libertadora; transformação de uma sociedade pecaminosa e geradora de miséria, em comunidade amorosa, igualitária, fraternal e solidária.
* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
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