sexta-feira, 6 março, 2026
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Por que os seguidores de cristo são e estão divididos? 

Em uma observação, mesmo que superficial, constatamos que os habitantes de todas as cidades brasileiras são cristãos. Como acontece na maioria dos lugares, também estão divididos em muitas confissões: evangélicos, batistas, católicos romanos, católicos ortodoxos, luteranos, congregacionais, presbiterianos, metodistas, pentecostais e muitas outras. Como entender estas divisões e até conflitos verbais e disputas territoriais em relação ao que Cristo disse: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4.20). Mas não entendíamos que estas palavras de Cristo querem que amemos também os bóias-frias, os subempregados, os índios massacrados, os negros marginalizados, e que amá-los é mais do que atirar-lhes uma esmola; que amá-los significa lutar pela transformação da sociedade que gera pobreza e os marginalizados. Cristo, diz: “No amor a Deus e ao próximo resumem-se toda a lei e os profetas” (Mt 22.34-40).  

Parece que não entendemos bem estas palavras e respondemos a Cristo dizendo: Sim, Senhor, nós queremos ser teus seguidores, porque, inclusive, zelamos com muito carinho pelas nossas verdades dogmáticas, pelos costumes que os nossos pais nos legaram e pelas tradições. 

Não entendemos que Cristo quer unir os cristãos em comunhão e que a força dessa comunhão inclua a todos na fraternidade, na solidariedade, na celebração ecumênica e universal do amor de Cristo.

Finalmente, um dia, ouvimos Cristo falar aos fariseus e descobrimos que estava falando para nós, quando disse: Hipócritas! Então ficamos intranquilos, porque, partir desse momento, aprendemos a ver como tarefa nossa a necessidade de colocar a nossa união fraternal, ecumênica e solidária, acima do orgulho dos nossos templos e das nossas torres; união ecumênica, força transformadora de uma sociedade injusta que gera discriminação e miséria, já que o sentido ético da Igreja de Cristo é servir; ficamos intranquilos, porque descobrimos que não é interessante para Cristo ver os seus seguidores divididos em vários templos, em vários estatutos, em várias torres, uns combatendo os outros e caçando “sócios” dos outros; vimos que não é interessante para Cristo ver os seus seguidores preocupados em preservar costumes, tradições e conceitos vazios; vimos que é mais interessante para Cristo, isto sim, que os seus seguidores se unam ecumenicamente em amor e façam agir este amor na formação de uma comunhão engajada, transformadora e libertadora; transformação de uma sociedade pecaminosa e geradora de miséria, em comunidade amorosa, igualitária, fraternal e solidária. 

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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