Você gostaria de trabalhar menos, mas ganhando o mesmo salário? A maioria responderia que sim. Aparentemente, essa é a pergunta que está sendo feita quando o governo e alguns políticos propõem o fim da escala 6×1. Mas essa discussão sofre de um grande mal: desonestidade – porque, na verdade, a verdadeira pergunta deveria estar sendo feita é essa: você prefere trabalhar menos pelo mesmo salário ou você prefere ganhar mais dinheiro trabalhando a mesma coisa?
Minha aposta é que a maioria das pessoas escolheria a segunda opção: ganhar um salário maior com a mesma carga de trabalho, porque isso representa uma chance concreta de melhorar de vida. Mas eu posso estar errado – e aqui está a vantagem de analisar essa questão de forma honesta: cada trabalhador deveria dar a sua própria resposta a essa questão. Não há nenhuma razão para que todos sejam obrigados a fazer a mesma escolha.
Alguns escolherão mais tempo livre, enquanto outros sempre preferem uma melhor remuneração. Essa é a vantagem da liberdade – e liberdade é o oposto da política adotada pelo Estado brasileiro, e defendida pelo atual governo, de interferir o máximo possível na relação entre empregador e empregado.
É provável que alguém esteja perguntando: mas de onde vem essa segunda opção, a de ganhar mais dinheiro trabalhando o mesmo tempo? Ela vem do aumento de produtividade, que é a única forma sustentável de uma nação ter aumento real de salários. É fácil de entender. Vamos imaginar a situação de um técnico que conserte aparelhos de ar-condicionado. Hoje ele conserta dois aparelhos por dia, porque não teve um bom treinamento e as ferramentas que a empresa fornece são ruins. Se ele passa a consertar quatro aparelhos por dia – dobrando a produtividade – a empresa tem condições de dar a ele um aumento de salário, que passa a ganhar mais trabalhando o mesmo número de horas. Se o patrão não der aumento, outra empresa vai contratá-lo – afinal, quem não quer um técnico que conserta o dobro do número de aparelhos?
É exatamente isso o que acontece em economias mais desenvolvidas. O aumento de produtividade gera aumento de renda e de riqueza.
O Brasil não precisa de uma proposta de redução da jornada de trabalho. O Brasil precisa de uma proposta de aumento de produtividade e, consequentemente, da renda. O brasileiro não precisa trabalhar menos. Ele precisa ter uma vida melhor. Mas a mentalidade populista e paternalista do Estado empurra a nação em outra direção. Essa é uma das razões do atraso brasileiro.
Por Roberto Motta



