Puxão de orelhas
Este ano vai marcar o fim dos telefones orelhões no Brasil. É o fim de uma era no país. E já começaram a ser arrancados definitivamente. Em Assis Chateaubriand isso não vai dar muito trabalho, porque, segundo a Anatel, só existe um orelhão com telefone funcionando no município. No Brasil todo há 38 mil aparelhos em funcionamento regular.
Coitados!
Desconheço um patrimônio público que tenha recebido mais violência e depredação do que os telefones públicos. Ainda lá nos anos 70, quando chegaram os primeiros orelhões por aqui, a despesa da Telepar para recuperar esses aparelhos era muito grande. E olha que a violência por parte de vândalos era muito pequena, mas os poucos vândalos que existiam tinham preferência e fascinação por destruir as cabines e os telefones. Arrancavam e levavam embora os fones, deixando os fios pendurados. E era só por prazer, porque não serviam para outra finalidade e ninguém comprava no mercado da bandidagem. O destino do produto do roubo era sempre o lixo.
Vá em paz!
Os orelhões não vão deixar saudades para ninguém porque foram substituídos com muita vantagem pelos aparelhinhos de celular. Mas jamais serão esquecidos por aqueles que tinham nos orelhões uma ferramenta importante para todo tipo de comunicação. De negócios, à combinação de lazer, namoro, traição ou assaltos; de chamada para socorro da polícia à chamados de ambulâncias e bombeiros. As novas gerações não têm ideia do que é ficar na chuva e em fila para fazer uma ligação.
Vai pro lixo
As cabines em forma de orelha vão parar no lixo, porque não há nenhuma utilidade para elas. Ao contrário das cabines telefônicas da Inglaterra, icônicas “casinhas” vermelhas que marcaram os filmes de James Bond e tantos outros. Muitas ainda mantém uma linha de telefone funcionando, mas a maioria continua no mesmo local servindo de pontos de serviços, como pequenas bibliotecas, guardador de desfibriladores para socorro médico cardíaco e outras utilidades, além de serem visualmente pontos turísticos.
Aqui não dá
No Brasil não daria certo manter os orelhões com outros fins, porque seriam o tempo todo pichados e qualquer coisa que se instalasse neles seriam roubados. Só não levaram os que ainda restam por serem pesados. Lá pelos anos 80 colaram num orelhão um adesivo com a inscrição: “Não destrua o orelhão. Alguém da sua família pode necessitar de socorro, por isso ele precisa estar inteiro”. Alguém escreveu embaixo: “Não tenho família”. Falar o quê?
História
A telefonia em Assis teve início em 1975 com a chegada da Telepar, que hoje é OI (com falência decretada em novembro). No começo, somente o Centro da cidade contemplava usuários. Depois, espalharam as linhas para os bairros e interior do município. Nos anos que se seguiram, a rede de telefone chegou nos distritos e patrimônios, no comércio, residências e através de pontos com orelhões. O Patrimônio Nice chegou a ter cinco orelhões. Era pouco para uma população de 16 mil habitantes, na época.
O que era um orelhão?
Ninguém impede a chegada do futuro e todas as mudanças que ele trás. Nasce gente e morre gente e as gerações se comportam iguais em relação à história. Boa parte ri e zomba de como os antigos viviam com as tecnologias da época sem se dar conta de que sem as “velharias” não haveria nada novo. O telefone público é só apenas mais uma “coisa velha” que sai de cena para dar lugar ao futuro. Muito em breve o orelhão será apenas uma orelha grande.



